Política Monetária Berlim já tem substituta para a alemã que se demitiu do BCE

Berlim já tem substituta para a alemã que se demitiu do BCE

O Governo alemão nomeou a economista Isabel Schnabel, mais próxima das ideias atuais do BCE, para o conselho executivo em substituição de Sabine Lautenschläger, que se demitiu em setembro.
Berlim já tem substituta para a alemã que se demitiu do BCE
Isabel Schnabel, professora universitária e economista alemã que é uma das conselheiras do Governo liderado por Angela Merkel.
Tiago Varzim 23 de outubro de 2019 às 12:16
A economista e professora universitária Isabel Schnabel foi escolhida esta quarta-feira, 23 de outubro, pelo Governo alemão para substituir Sabine Lautenschläger, atual membro da comissão executiva que se demitiu em setembro após mais uma ronda de estímulos aprovada pelo Banco Central Europeu (BCE) aos quais se opôs.

Em reação à nomeação, Isabel Schnabel, que também é conselheira do Executivo liderado por Angela Merkel, escreveu no Twitter estar "honrada" pela nomeação, mas recordou que este é o "início de um processo longo". "Se a minha nomeação for aprovada pelas instituições europeias, farei o meu melhor para corresponder às elevadas expectativas postas em mim", afirmou.

A economista alemã terá de passar pelo habitual processo de nomeação de membros do banco central da Zona Euro. Em primeiro lugar, os ministros das Finanças reunidos no Eurogrupo terão de dar "luz verde" a Isabel Schnabel. Para que tal aconteça é necessária uma maioria de 72% dos países do euro (pelo menos 14 dos 19 possíveis), os quais têm de representar pelo menos 65% da população da Zona Euro.

Depois é a vez do Parlamento Europeu e do próprio BCE se pronunciarem, ainda que os pareceres não sejam vinculativos. A última palavra será dos chefes de Estado da União Europeia em Conselho Europeu. Contudo, o processo deverá acelerar-se desta vez dado que Sabine Lautenschläger abandona o BCE já no dia 31 de outubro, o mesmo dia em que o presidente Mario Draghi diz adeus à Eurotower (sede do BCE). 

Segundo a Reuters, Schnabel também demonstrou ceticismo em setembro quanto ao pacote de estímulos aprovado pelo Conselho do BCE (do qual os membros da comissão executiva fazem parte), classificando-o de "excessivo". No entanto, a economista alemã disse também que as medidas anunciadas estavam dentro do mandato do banco central. 

Assim, Isabel Schnabel é vista como uma economista capaz de construir pontes entre os conservadores alemães - que têm criticado bastante a política monetária do BCE nos últimos anos - e os que defendem a estratégia que Draghi tem implementado para tentar impulsionar a inflação da Zona Euro, o objetivo último do mandato do banco central. 

Em setembro, Schnabel saiu em defesa de Draghi face às duras críticas públicas do governador do Bundesbank, Jens Weidmann: "É perigoso que políticos, jornalistas e banqueiros reforcem a narrativa de que o BCE rouba dinheiro dos aforradores alemães", disse ao jornal alemão Handelsblatt, argumentando que o BCE é uma das "instituições europeias mais importantes" e que está "constantemente a ser usado como um bode expiatório na Alemanha".
 

Incertas são, para já, as responsabilidades que a alemã irá assumir dentro do BCE, algo que já deverá ser decidido pela próxima presidente do BCE, Christine Lagarde, que entra no cargo a 1 de novembro. Além de membro da comissão executiva do BCE, Sabine Lautenschläger era vice-presidente do conselho de supervisão do Mecanismo Único de Supervisão.



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