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António Costa avançou por "risco sério de bloqueio político"

O presidente da Câmara de Lisboa afirmou, esta segunda-feira, que o PSD e CDS tiveram uma "derrota histórica" e que à mesma não correspondeu "uma vitória clara" no PS. E, por isso, diz, "candidato-me por acreditar que posso dar um contributo positivo".

Bruno Simão/Negócios
Ana Filipa Rego arego@negocios.pt 02 de Junho de 2014 às 21:56
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Em entrevista na TVI, conduzida por José Alberto de Carvalho, António Costa afirmou que se assumiu como candidato à liderança do PS "por um imperativo de consciência". Porque considera "que estamos em situação com risco sério de bloqueio político".

 

Para o actual presidente da câmara de Lisboa, o PS "tem que ter a ambição de formar um governo e de não ser só uma solução de governo,. Tem de ter um governo forte e ter a capacidade de fazer mudanças. Só será possível dinamizar a concertação social, por exemplo, se tivermos uma estratégia política forte".

 

O responsável avançou, neste momento, acima de tudo, pelo facto de, à "derrota histórica do PS", não ter correspondido "uma vitória clara do PS". "É dever dos responsáveis políticos olhar para os resultados e ver o que acontece", continuou, explicando que  este resultado foi os portugueses a dizer, em primeiro lugar "não queremos mais este governo" e, em segundo, que "ainda não tinham encontrado a alternativa a este governo".

 

"Ao longo dos vários anos disse sempre que não seria candidato se houvesse melhores pessoas em condições ou circunstâncias inadequadas para o ser", confessou António Costa reafirmando que avançou por esta ser a "interpretação que eu faço do que os portugueses nos disseram nas eleições".

 

"Entendi que devia assumir a liderança do País"

 

Além disso, acrescentou, "tenho que ser sensível aquilo que é a opinião dos militantes do PS por julgarem que estava indisponível. Eu estou disponível para fazer essa mudança se todos quiserem. Não suportava os comentários que diziam que eu estava confortavelmente instalado à espera de concorrer à Presidência da República. Entendi que devia assumir a liderança do País".

 

"Neste momento as questões estão diferentes do que estavam há uma semana. O próprio José Seguro entendeu que deveria haver um processo para a escolha", acrescentou.

 

Quanto à questão de congresso ou primárias, não interessa desde que seja uma "solução rápida"."Propus o congresso extraordinário. O secretário-geral tem a ideia de um outro sistema". Assim não foi, mas o que "nós, desejavelmente, não deveríamos chegar ao Verão sem um a solução para o futuro do PS. Estou disponível para colaborar nesse sentido", afirmou.

 

"Um partido não é uma pessoa. Temos que escolher uma base programática, uma linha de orientação e quem tem que aprovar isso é um congresso e, por isso, terá sempre que haver um congresso. Estou disponível. Se querem congresso la estarei, se quiserem primárias lá estarei".

Para António Costa o "PS não está esfrangalhado e sairá mais fortalecido deste processo. Candidato-me porque Acredito que posso dar um contributo positivo. Mas não me imponho a ninguém. O PS pode e deve ser essa força mobilizadora da mudança que precisa o País", afiançou.

 

"Sexta-feira apresentarei as minhas bases programáticas"

 

Quanto à oficialização da candidatura, espera faze-lo na próxima sexta-feira, um dia depois de José Seguro apresentar a proposta de primárias na reunião da Comissão Política do PS.

 

"Quando formalizar a minha candidatura, que espero fazer na próxima sexta-feira, apresentarei as minhas bases programáticas", disse, salvaguardando que "não vamos voltar à estaca zero, o PS vai honrar todos, todos os contributos, tudo isto tem de ter continuidade".

 

"Unir, mobilizar e agregar é isso que tenho feito na câmara de Lisboa e é isso que quero fazer no País", afirmou

 

Para o responsável "temos tido uma simplificação excessiva das causas da crise, sempre a atribuir a culpa da crise ao governo anterior" e o que a sociedade pede ao PS é "para liderar a mudança". Para isso, explica, é preciso "firmar uma opção estratégica urgente" travar a dinâmica de retrocesso social e relançar um processo de prosperidade pela partilha".

 

E depois, continuou, "uma nova agenda que mobilize o país para atacar os problemas estruturais. Temos de por termo a este programa de ajustamento".

 

"Acabei de ver a Maria Luis Albuquerque a confessar o óbvio: este governo já não tem estratégias. Temos que dizer ao país que isto já não vai só com choques. Precisa de uma agenda sustentada para a próxima década".

 

Questionado sobre se com estes últimos resultados optaria por uma coligação PSD/PS ou grande coligação de esquerda, António Costa respondeu assim:" o caminho que eu seguiria é que o PS não se satisfaça com esta vitória [Europeias]. O PS tem de ter a ambição de mais. Não significa recusar o diálogo com os outros. Mas isso só é possível com um pólo forte, um acordo fraco não fortalece".

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