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Banqueiros preparam-se para o "vírus económico"

Miguel Maya, CEO do BCP, e António Ramalho, presidente exexutivo do Novo Banco, estão preparados para dar moratórias às famílias e empresas. Só falta a legislação.

Rita Atalaia ritaatalaia@negocios.pt 26 de Março de 2020 às 10:54
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Miguel Maya, presidente executivo do BCP, e António Ramalho, CEO do Novo Banco, dizem estar preparados para dar mais tempo às famílias e empresas para pagarem as suas dívidas, assim que a legislação que enquadra esta medida for publicada. O objetivo é ajudar os clientes num período que vai ser marcado por um "vírus económico", para o qual a banca tem de estar a postos e que vai ditar a necessidade de mais medidas. 

"É o começo possível, não seguramente o plano final. Vai ser preciso mais. Mas é um começo importante", afirmou o CEO do BCP no Negócios da Semana, da SIC Notícias, na quarta-feira à noite. 

Em cima da mesa estão agora várias medidas para apoiar as famílias e as empresas. O Governo anunciou uma linha de crédito de 200 milhões e ainda um outro pacote de 3 mil milhões, garantido pelo Estado, e que é destinado aos setores mais penalizados pela covid-19, nomeadamente a restauração, lazer, turismo e indústria.

No Novo Banco, a linha de 200 milhões obteve uma procura de perto de 300 milhões. "A linha de 200 milhões de euros tem, no nosso caso, pedidos de 293 milhões na primeira volta. Isto significa que só nós esgotaríamos a linha e que todos os outros bancos estão na mesma circunstância", afirmou António Ramalho, CEO do Novo Banco, no mesmo programa.

Os empréstimos das linhas de 3 mil milhões de euros vão contar com "spreads" entre 1% e 1,5%, como foi revelado por António Costa, primeiro-ministro, esta semana. Já somando uma comissão de garantia mútua, que pode ir até 1%, e uma comissão pela gestão de dossier, que pode ir até 0,5%, os custos podem aproximar-se dos 3%, segundo foi revelado no programa. Um valor que, para Miguel Maya, é elevado no contexto atual. 

Depos da covid-19, virá o "vírus económico"

Outra solução em cima mesa são as moratórias no crédito. Ambos os banqueiros aguardam que a legislação seja publicada para disponibilizarem esta opção aos clientes. "Falta o diploma legal que permita que as reestruturações se enquadrem numa moratória", afirmou o presidente do BCP. 

Já foram vários os bancos que se demonstraram disponíveis para dar uma carência de capital aos clientes. É o caso da Caixa Geral de Depósitos, BPI, Santander e, mais recentemente, o Crédito Agrícola. Na quarta-feira, a Autoridade Bancária Europeia deu luz verde a esta iniciativa, garantindo que estas não vão pesar nos rácios de malparado do setor.

"O sistema financeiro português tem hoje liquidez que devemos aproveitar para os primeiros três meses da crise", afirmou António Ramalho, notando que muitas empresas "estarão debilitadas". É que, depois da pandemia, que está a assolar Portugal e o mundo, "vamos ter o vírus económico daqui a três ou quatro meses". E os bancos terão de ter "boas condições para financiar a economia", rematou o banqueiro.

Já Miguel Maya, CEO do BCP, garantiu que a evolução da economia "não será de certeza em L". Para o banqueiro, poderá "ser um U com uma perna mais estendida", notando que a recuperação económica "vai demorar algum tempo".

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