Banca & Finanças Berardo recebeu 48 milhões em benefícios fiscais

Berardo recebeu 48 milhões em benefícios fiscais

Só nos últimos três anos, as empresas do empresário obtiveram benefícios fiscais que ultrapassam os 48 milhões de euros. O Fundo de Resolução, que tem exigido empréstimos estatais, arrisca-se a ser chamado para pagar perdas com créditos concedidos pelo BES a Berardo.
Berardo recebeu 48 milhões em benefícios fiscais
Lusa
Negócios 18 de maio de 2019 às 09:20

Em três anos, o universo de empresas e entidades controladas por José Berardo recebeu 48,3 milhões de euros em benefícios fiscais, revela o Expresso na sua edição deste sábado, 18 de maio.

 

A partir de estatísticas publicadas pela Autoridade Tributária (AT), o jornal concluiu que a quase totalidade dos benefícios fiscais concedidos ao grupo do empresário respeita à Empresa Madeirense de Tabacos (EMT), que é participada em 48,8% pela Fundação José Berardo e cuja administração é liderada pelo seu filho, Renato Berardo.

 

A tabaqueira conseguiu benefícios fiscais de 16 milhões de euros em 2015, 19 milhões no ano seguinte e 13,1 milhões em 2017, de acordo com o semanário, com base nos dados da AT, que revelou apenas os relativos aos últimos três anos.

 

Apesar de a EMT ser a que mais benefícios obteve, a Bacalhôa e a Fundação José Berardo também tiveram descontos nos impostos.

 

O Expresso dá ainda conta que o Fundo de Resolução, que tem exigido empréstimos estatais, arrisca-se a ser chamado para pagar eventuais perdas com créditos concedidos pelo BES a Berardo.

 

Resultante de empréstimos herdados do BES, o Novo Banco reclama 327,7 milhões de euros no âmbito do processo de execução que deu entrada contra Berardo e três empresas suas juntamente com a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o Banco Comercial Português (BCP).

Entretanto, ontem, o Conselho das Ordens Nacionais abriu um processo disciplinar a Berardo para analisar se o empresário infringiu os deveres de titular da Ordem do Infante D. Henrique, que pode levar à retirada das suas condecorações.

 

Numa reunião realizada no Palácio de Belém, em Lisboa, o conselho "emitiu parecer favorável à instauração de um processo disciplinar" a Berardo na sequência das suas declarações perante a comissão de inquérito à gestão e recapitalização da Caixa Geral de Depósitos na Assembleia da República, "tendo em conta a posição daquele órgão de soberania".

 

Segundo um comunicado divulgado no portal da Presidência da República na Internet, o Conselho das Ordens Nacionais, que tem como chanceler a antiga ministra e ex-presidente do PSD Manuela Ferreira Leite, "recebeu um parecer do presidente da referida comissão [Luís Leite Ramos], que constitui a posição final da Assembleia da República sobre o assunto".

 

A posição transmitida pelo parlamento, tida em conta para a abertura deste processo, foi a de que "a conduta e a natureza das declarações do senhor José Berardo nesta comissão podem ser consideradas matéria relevante para avaliação do cumprimento dos deveres legais dos membros das ordens", é referido no mesmo comunicado.

 

Joe Berardo terá de ser ouvido neste processo disciplinar, que pode terminar com um arquivamento, com uma admoestação ou com a sua irradiação do quadro da Ordem do Infante D. Henrique, da qual é membro desde 1985.




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