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Centeno: NB "não era um banco bom" quando foi criado e "foi preciso fazer dele um bom banco"

Mário Centeno, antigo ministro das Finanças e atual governador do Banco de Portugal, afirma que a "incompetência encontrou o dolo e a prática de atos de gestão ruinosa" no BES.

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Rita Atalaia ritaatalaia@negocios.pt 18 de Maio de 2021 às 16:14
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Mário Centeno, atual governador do Banco de Portugal e ex-ministro das Finanças, afirma que o Novo Banco (NB) era uma entidade nova, mas com problemas "velhos" herdados do Banco Espírito Santo (BES), onde a "incompetência encontrou o dolo". O banco liderado por António Ramalho "não era um banco bom" e foi preciso "fazer dele um bom banco".

"A esmagadora maioria das questões levantadas nesta CPI [comissão parlamentar de inquérito] dizem respeito ao BES. Tiveram a sua origem no BES e não no NB. Devemos ter isso sempre presente", começou por dizer Centeno numa intervenção inicial, na CPI ao Novo Banco. 

"Em 2014, foi resolvido o terceiro maior banco nacional. Como disse, esta resolução resultou apenas e só das ações e omissões dos sucessivos conselhos de administração do BES. Também aqui não houve azar", referiu.

E continuou: "se a sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade, o azar acontece quando a incompetência encontra o dolo e a prática de atos de gestão ruinosa. E deve, por isso, ter responsáveis, como aliás já está judicialmente comprovado", disse, recordando que "há atualmente centenas de processos judiciais tramitando, em diferentes fases, nos tribunais portugueses". 

De acordo com o atual governador do Banco de Portugal, a "venda do NB resulta de um imperativo legal, foi a forma encontrada, difícil, com riscos para o Fundo de Resolução, no quadro do funcionamento de um mecanismo contingente de capital. 

Este mecanismo evitou que o seu limite de atuação, 3.890 milhões de euros, fossem registados imediatamente nas contas públicas em 2017. Porque não se trata de uma garantia".

Este mecanismo, disse, "permitiu uma monitorização apertada e eficaz dos processos de gestão dos ativos que nele estão incluídos. Permite que estes riscos se diluam ao longo do tempo e desde 2018 nos tenhamos confrontado com o seu valor e com uma realidade: o Novo Banco era novo, mas herdeiro de velhos problemas e com muitos e complexos desafios pela sua frente. Não era um banco bom". 

"Foi preciso fazer dele um bom banco. E a sua reestruturação termina este ano. Atestada pela Comissão Europeia. Assim as instituições portuguesas o permitam", referiu ainda. 

O processo do Novo Banco "é penoso socialmente, politicamente, financeiramente, em termos de todo o processo que envolve o sistema bancário, e portanto é uma lição que todos temos que aprender", disse. 


Esta manhã foi a vez de os deputados ouvirem Luís Máximo dos Santos, presidente do Fundo de Resolução, entidade que detém 25% do capital do banco liderado por António Ramalho. O CEO do Novo Banco irá amanhã, quarta-feira, ao Parlamento.

(Notícia atualizada.)
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