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Centeno: "Os riscos de retirada precoce dos apoios à economia são sérios"

O governador do Banco de Portugal defende que não se deve voltar a um confinamento total e que a economia deve ser mantida a funcionar.

Rafaela Burd Relvas rafaelarelvas@negocios.pt 27 de Outubro de 2020 às 10:24
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Uma retirada demasiado antecipada dos apoios à economia, implementados para dar resposta à crise gerada pela economia, terá consequências graves sobre a economia e, por isso, a decisão de regressar à normalidade exige cautela. A ideia é defendida pelo governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, que argumenta, por outro lado, que não se deve voltar a um novo confinamento total, já que a atividade económica pode ser mantida a funcionar sem colocar em risco a segurança das populações.

O governador do Banco de Portugal falava na abertura da conferência "Banca do Futuro", organizada esta terça-feira, 27 de outubro, pelo Negócios. "Com a incerteza elevada e a recuperação ainda fraca, os riscos de uma retirada precoce dos apoios parecem sérios, exigindo avaliações cautelosas", afirmou Mário Centeno.

Assista aqui à transmissão do Grande Encontro Banca do Futuro



Esta é uma posição também já assumida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que, no relatório sobre a estabilidade financeira mundial divulgado na semana passada, alertou que a retirada prematura dos apoios poderá atirar muitas empresas para a insolvência e ter um "impacto severo" no setor financeiro.

O antigo ministro das Finanças admite, por outro lado, que a extensão demasiado prolongada destas medidas também irá comportar consequências para a economia. Em causa, por exemplo, medidas como as moratórias do crédito, que colocam em risco a carteira da banca, ou as linhas de crédito, que poderão aumentar em demasia o endividamento das empresas.

Seja como for, acredita Centeno, "os bancos enfrentam a crise pandémica com uma posição de liquidez mais sólida do que aquela que tinha na crise financeira de 2008, nomeadamente devido às reformas regulatórias". Esta transformação, diz, "permite que os bancos façam parte da solução, ao contrário de 2008, quando foram parte do problema".

Ainda assim, não há medidas isentas de risco. "Tudo deve ser feito para evitar que este choque possa contar com os bancos entre as suas vítimas". E isso, sublinha, inclui manter a economia a funcionar.

"Em muitos países, a resposta à crise sanitária está a ser eficaz sem confinamento total. Distanciamento social não é sinónimo de confinamento", começou por dizer. "A resposta em V que a economia deu à redução parcial do confinamento deve ser vista como alento nesta fase, deixando a economia funcionar sem colocar em risco a segurança", acrescentou.

Notícia atualizada pela última vez às 10h30 com mais informação.
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