Banca & Finanças Quem é o Bankinter que vai comprar o Barclays?

Quem é o Bankinter que vai comprar o Barclays?

Fez 50 anos em 2015. Chama-se Bankinter. Foi criado pelo Santander e pelo Bank of America. Esteve envolto em vários rumores de aquisições, como ser alvo de uma OPA pelo Barclays. Não aconteceu. Esteve na corrida pelo Barclays em Espanha. Não ganhou. Agora, é comprador do retalho do Barclays em Portugal.
Quem é o Bankinter que vai comprar o Barclays?
Bloomberg
Diogo Cavaleiro 02 de setembro de 2015 às 19:14

Conta com 4.185 funcionários. 51% são mulheres, 49% homens. Ficam, em média, 13,30 anos no trabalho. Estão distribuídos por 526 agências. Estes são números referentes ao Bankinter, instituição financeira espanhola que quer comprar o Barclays em Portugal.

 

Tem 50 anos feitos em Junho passado. Foi criado em 1965 pelas mãos de espanhóis e americanos. Banco Intercontinental Espanhol foi a designação inicial do banco industrial constituído, em partes iguais, pelo Santander e pelo Bank of America. Chama-se Bankinter desde 1990.

 

Tem, agora, o capital disperso em bolsa e não tem ligação directa aos fundadores. Mas há ainda uma presença. O principal accionista é Jaime Botín, através da sua empresa Cartival, com 22,78% do capital. Era irmão de Emilio, o antigo presidente do Santander, que faleceu no ano passado. De resto, o capital é disperso por investidores com participações mais pequenas, como por exemplo fundos norte-americanos.

 

"Se estamos em algo, é para comprar". E compraram

 

O Bankinter esteve envolto em rumores de várias operações de aquisição em Espanha. Aliás, o britânico Barclays já esteve para comprar o Bankinter. Em 2006, surgiram notícias que davam conta desse interesse. Mas também o Crédit Agricole, que era o parceiro da família Espírito Santo no controlo do BES, esteve no seu capital, de onde saiu em 2013.

 

Mais: quando o Barclays saiu da actividade de retalho em Espanha, o Bankinter foi logo apontado como o melhor posicionado para ficar com a operação. Não aconteceu. O negócio ficou para o CaixaBank, principal accionista do português BPI.

 

Há meses, a presidente executiva do Bankinter, María Dolores Dancausa, havia apontado para uma compra. "Não nos chegou nenhum caderno de venda. Não estamos à venda. Se estamos em algo, estamos para comprar. Não acredito que compremos em Espanha, ainda que não possa dizer que ‘desta água não beberei’", afirmou, citada pela Europa Press, em Julho.

 

Agora, abrem-se as portas de Portugal ao banco espanhol. Chega ao país depois de, no primeiro semestre, ter obtido um lucro de 197,3 milhões de euros, obtendo o rácio de capital de melhor qualidade (o CET1) de 11,82%. No ano passado, a instituição disse ter alcançado o melhor resultado dos últimos sete anos. O banco reforça, ao longo dos documentos oficiais de apresentações de contas, que os testes de stress que foram realizados na banca europeia "colocaram o Bankinter como o melhor banco cotado em Espanha".

 

Com a concretização da operação, esperada para o primeiro trimestre de 2015, Bankinter junta-se ao Santander e ao BBVA como os grandes bancos espanhóis com presença em Portugal. Fora de Espanha, o banco está presente no Luxemburgo após a aquisição de uma instituição financeira há dois anos.

 

O Bankinter vale, ao preço de fecho de mercado, 5,9 mil milhões de euros. Uma capitalização bolsista distante dos pares presentes em Portugal: o BBVA vale quase 10 vezes mais, com 50 mil milhões de euros, o Santander ainda mais, com 76 mil milhões. O valor de mercado do Bankinter é superior ao da EDP Renováveis e também à soma das capitalizações do BCP e do BPI.




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