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Ramalho: "Novo Banco não vende porque quer, vende porque deve"

O presidente do Novo Banco está a dar explicações sobre a auditoria feita pela Deloitte aos atos de gestão na instituição financeira.

Rafaela Burd Relvas rafaelarelvas@negocios.pt 02 de Setembro de 2020 às 11:37
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"Terminou o ciclo do silêncio, iniciou-se o ciclo do esclarecimento". Foi desta forma que António Ramalho, presidente do Novo Banco, anunciou que iria esclarecer as dúvidas que têm sido levantadas sobre a gestão que tem sido levada a cabo na instituição que nasceu da resolução do Banco Espírito Santo (BES), depois de a Deloitte ter enviado ao Governo a auditoria feita aos atos de gestão no banco. Sobre as vendas feitas pelo Novo Banco que têm gerado polémica nos últimos meses, pelas perdas avultadas que têm originado, Ramalho justifica que estas são feitas por obrigação, mas seguindo todas as regras. "O Novo Banco não vende porque quer, vende porque deve", sublinha.

Em declarações aos jornalistas, em conferência de imprensa realizada esta quarta-feira, 2 de setembro, o gestor garante que a larga maioria das perdas apuradas nesta auditoria (mais de 95%) são provenientes de operações realizadas antes de 2014, quando o BES foi resolvido, e assegura que todas as vendas de ativos tóxicos que têm sido realizadas pelo Novo Banco desde que assumiu a presidência da instituição são feitas através de "processos competitivos, sujeitos ao melhor escrutínio".

"Das perdas de quatro mil milhões apuradas pela auditoria, mais de 95% são perdas resultantes de ativos originados previamente a 2014. Não há um único novo crédito que tenha sido concedido posteriormente à resolução", começou por dizer António Ramalho.

Quanto às vendas destes ativos, que o banco é obrigado a vender por imposição da Comissão Europeia, António Ramalho lembra que, desde 2016, o Novo Banco é a instituição sob a alçada do Banco Central Europeu (BCE) que "mais reduziu o nível de malparado", de 33,4% para 11,8% no final do ano passado, e frisa que "o preço final das vendas é alcançado de acordo com um 'benchmark'".

E acrescenta: "Todas as operações foram realizadas não por baixo da mesa, mas em concurso internacional, de forma transparente e organizada. Todas as operações foram divulgadas na devida altura e sujeitas ao escrutíinio dos reguladores e do mercado".

Também em relação às perdas milionárias geradas pelas vendas de grandes carteiras de malparado, que têm sido cobertas pelo Fundo de Resolução, António Ramalho defende as opções que têm sido tomadas. "Dada a granularidade da carteira, adotámos uma técnica por venda de pacote. Não havia outra solução. Se fossemos vender ativo a ativo, demoraríamos, se vendessemos cinco por dia, mais de 20 anos", apontou.

Mas ressalvou: "O banco escolheu os melhores 'advisors', vendeu ao melhor preço e vendeu com sucesso".

A auditoria da Deloitte, realizada no âmbito da lei da transparência da banca, em vigor desde o ano passado, analisou os atos de gestão no Novo Banco entre 2000 e 2018, um período que abrange, sobretudo, a liderança de Ricardo Salgado, mas que chega também a Vítor Bento, Eduardo Stock da Cunha e António Ramalho.

A consultora analisou 201 operações de crédito, 26 operações relacionadas com subsidiárias e outras empresas associadas e 56 operações com outros ativos, como títulos e imóveis. E concluiu que a gestão destas operações levou a perdas de 4.042 milhões de euros no Novo Banco, com origem, sobretudo, no Banco Espírito Santo (BES).

Notícia atualizada pela última vez às 12h25 com mais informação.
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