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Judoca compra garagem de Berardo executada pela CGD

Gabriel Duarte de Barros Abreu adquiriu, em leilão eletrónico, por 23 mil euros, o único património direto detetado ao empresário madeirense, a quem a CGD, o BCP e o Novo Banco tentam cobrar uma dívida de quase mil milhões de euros.

Rui Neves ruineves@negocios.pt 01 de Outubro de 2022 às 14:51
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Na passada quarta-feira, 28 de setembro, após um frenético despique final, que durou 31 minutos, a famosa garagem do empresário madeirense Joe Berardo, executada pela CGD e colocada em leilão electrónico com um valor base 25 mil euros, foi arrematada por 23.015 euros.

 

Segundo o portal e-leilões, a "fração autónoma designada pela letra "N0-3", com cerca de 25 metros quadrados e "correspondente ao rés-do-chão", localizada num prédio da Rua Dr. Pita, n.º 24, Edif. Magnólia – Bloco C, da freguesia de São Marinho, no Funchal "encontra-se em razoável estado de conservação".

 

"Eu pessoalmente não tenho dívidas. Os jornais dizem que tenho uma garagem. Eles que me deem o resto que eu dou a garagem. Tentei ajudar os bancos numa altura. Eles que dizem que só tenho uma garagem, então eles que devolvam as coisas que têm comigo."

 

Estas declarações foram proferidas por José Manuel Rodrigues Berardo, conhecido por Joe Berardo, a 10 de Maio de 2019, no âmbito da II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da CGD e à Gestão do Banco.

 

Recorde-se que os créditos concedidos pelos bancos a Joe Berardo serviram sobretudo para financiar a compra de ações do BCP, no âmbito da guerra de poder que se viveu no banco em 2007, tendo o empresário dado como garantias essas mesmas ações, que entretanto desvalorizaram significativamente gerando perdas avultadas para as instituições financeiras que concederam os empréstimos.

 

A polémica garagem de José Berardo acabou por ser arrematada por Gabriel Duarte de Barros Abreu, um madeirense ligado ao setor da informática e "judoca de elevada craveira", de acordo com a Associação de Judo da Região Autónoma da Madeira (AJRAM).

 

Nos últimos dias, o Negócios tentou, sem sucesso, contactar Gabriel Abreu.

 

Gabriel Abreu cumpriu "princípios basilares do Judo, o Jita Kyoei – Prosperidade Mútua"

 

Em marco de 2019, em assembleia geral da AJRAM, Abreu recebeu um louvor desta organização desportiva "pela forma excecionalmente competente e empenhada como construiu, manteve e atualizou o site da Associação de Judo da Região Autónoma da Madeira, entre 2016 e 2019".

 

"Durante esse período desenvolveu a sua ação no apoio às diferentes e variadas tarefas e actividades decorrentes da manutenção do site e toda a estrutura de ‘backoffice’, sempre com grande pragmatismo, rigor e profundidade, daí resultando uma reconhecida e destacada mais-valia para a imagem online do judo regional", lê-se na ata dessa assembleia geral.

 

"Adicionalmente, aconselhou e apoiou incondicionalmente a direção da AJRAM em todas as questões relacionadas com a sua área de especialização, incluindo na manutenção do parque informático", acrescenta.

 

"Pelas suas reconhecidas competências técnicas na área da informática, assumiu com naturalidade e destacada abnegação, em pro-bono, tendo por fim único o apoio ao desenvolvimento do judo regional, muitas vezes com sacrifício das suas horas de lazer e descanso, afirmando um dos princípios basilares do Judo, o Jita Kyoei – Prosperidade Mútua", enfatiza a mesma associação.

 

Daí que tenha considerado que "é de toda a justiça reconhecer publicamente as excepcionais qualidades e virtudes que creditam o judoca Gabriel Abreu como sendo um judoca de elevada craveira, que pautou sempre a sua atuação pela afirmação constante de elevados dotes de caráter, abnegação e competência profissional, sendo digno de que os serviços por si prestados sejam considerados relevantes e de elevado mérito".

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