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Milionário russo lança OPA sobre a dona do Minipreço

O investidor Mikhail Fridman vai mesmo lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) pelos 70,9% do capital do Grupo Dia que ainda não controla.

Sara Ribeiro sararibeiro@negocios.pt 05 de Fevereiro de 2019 às 09:05
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O milionário russo Mikhail Fridman, acionista da dona do Minipreço através do fundo Letterone, anunciou que vai lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o grupo espanhol Dia a um preço de 0,67 euros por ação.

O preço da OPA traduz um prémio de 56% face à cotação de fecho de ontem, mas está bem abaixo do valor que o empresário russo pagou em 2018. No ano passado Fridman comprou ações da cotada espanhola a um preço entre 3,42 e 3,73 euros por acção.

Segundo a imprensa espanhola, o objetivo do investidor, que atualmente detém 29% do Dia, passa por controlar a empresa a 100%. E após a conclusão da tomada de controlo, avançar com um aumento de capital de 500 milhões de euros e retirar a empresa da bolsa. Este reforço de capital surge em alternativa ao plano atual delineado pela gestão da empresa, que tinha assegurado um plano de financiamento junto da banca para superar as dificuldades financeiras que atravessa. 

Se conseguir ficar com 100% do Dia, o milionário russo investirá perto de 300 milhões de euros. Desta forma, está disposto a investir até 800 milhões de euros neste plano para recuperar a empresa de supermercados espanhola com forte presença em Portugal.

O lançamento de uma OPA acontece depois de Fridman e os restantes membros indicados pelo Letterone terem abandonado o conselho de administração do Dia em dezembro, por considerarem insuficiente o aumento de capital de 600 milhões de euros planeado pela atual liderança do grupo. Para não perder peso na estrutura accionista, o fundo de Fridman teria de investir 174 milhões de euros.

A cadeia de supermercados espanhola encontra-se num processo de reestruturação e terá, segundo o jornal espanhol Expansión, mandatado o Santander e o BBVA para encontrarem um comprador para a Clarel, cadeia de lojas de drogaria, perfumaria e higiene pessoal. Em Portugal a Clarel conta com 73 estabelecimentos.

No final do mês de janeiro também fpoi noticiado que o empresário português Luís Amaral tinha comprado uma participação de cerca de 1% no capital do grupo espanhol Dia. E segundo o Expansion o CEO da Eurocash, empresa de retalho grossista na Polónia, estará do lado da atual administração do Dia, encabeçada por Borja de la Cierva. 

As ações do Dia estão a reagir em forte alta à OPA, tendo registado uma valorização máxima de 59,56% para 0,685 euros, já acima da contrapartida de Fridman. Nas últimas sessões tinham já registado um desempenho positivo, precisamente na expectativa sobre o lançamento desta OPA. Desde o início do ano acumulam agora um ganho de 45%, depois de terem afundado mais de 90% em 2018.


O grupo, que enfrenta dificuldades financeiras, viu a sua situação deteriorar-se quando, em Outubro, o JPMorgan publicou uma nota negativa sobre o grupo e a própria empresa emitiu um "profit warning", no qual anunciou que espera uma queda substancial no EBITDA deste ano e não vai pagar dividendos em 2019. Dias depois, reviu em baixa as receitas obtidas no ano passado em 20 milhões de euros, acentuando a tendência negativa dos títulos. 

Os resultados de 2018 ainda não são conhecidos, deverão ser apresentados esta semana. Mas as contas de 2017 já registaram uma queda de 19,2% dp resultado líquido ajustado para 217 milhões de euros, enquanto o lucro líquido atribuído recuou 38% para 109 milhões de euros. Uma performance justificada pelo encerramento das operações na China.

No exercício de 2017 os proveitos totais do grupo cresceram 1,5% para 10,3 mil milhões de euros, isto apesar de as receitas no mercado espanhol terem encolhido 3,8% devido ao encerramento de lojas neste mercado.

Já em Portugal, apesar do número de espaços do grupo ter diminuído também, as receitas atingiram 853 milhões de euros em Portugal, um valor que representa uma ligeira subida de 0,6%. N
o final do ano passado a retalhista tinha 630 lojas em Portugal, das quais 333 próprias e 297 em franchising. Números que comparam com os 367 espaços próprios que detinha em 2016 e os 256 em regime de franquia.

No global, no final de 2017, o Grupo Dia somava 7.399 lojas – 3.603 próprias e 3.785 franchisadas -, o que representa uma ligeira queda face às 7.420 registadas no ano anterior.

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