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Vendas da Jerónimo Martins aumentam 3,5% em 2020 para 19,3 mil milhões

Num ano marcado pelo "contexto particularmente difícil", a Jerónimo Martins registou um aumento das vendas, graças ao desempenho da polaca Biedronka.

Pedro Soares dos Santos, CEO da Jerónimo Martins, viu os lucros do grupo caírem 36% no semestre.
Bruno Colaço
Ana Sanlez anasanlez@negocios.pt 12 de Janeiro de 2021 às 17:23
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As vendas do grupo Jerónimo Martins aumentaram 3,5% em 2020 para 19,3 mil milhões de euros. A empresa que detém o Pingo Doce revelou esta terça-feira os dados preliminares relativos ao ano passado.

Em comunicado enviado à CMVM, o grupo refere que a taxas de câmbio constantes, o aumento das vendas cifrou-se em 6,7%. Já as vendas comparáveis (LfL) subiram 3,5%.

O valor está em linha com as previsões dos analistas da Goldman Sachs, que antecipavam uma subida nas vendas do grupo de 3% em 2020.

O desempenho do grupo foi sustentado, sobretudo, pelo desempenho da polaca Biedronka, que registou um aumento de vendas de 6,7%, para 13,5 mil milhões de euros, tendo liderado o crescimento do setor do retalho alimentar na Polónia. A também polaca Hebe caiu 5,4% para 245 milhões de euros, num ano em que "operou em condições particularmente desafiantes para o mercado dos produtos de beleza em resultado da pandemia, registando um bom desempenho nos meses com menos restrições e um muito bom desempenho da sua operação online".

Já o Pingo Doce não conseguiu evitar uma quebra. As vendas desceram 1,9% face ao ano anterior para 3,87 mil milhões de euros. As vendas do Recheio foram ainda mais impactadas, devido às restrições impostas à restauração e à hotelaria, tendo registado uma quebra de 15,9%, para 847 milhões de euros. "Apesar da severidade da situação e das medidas restritivas em Portugal, o Pingo Doce e o Recheio mantiveram uma forte dinâmica comercial e espírito de iniciativa, reforçando continuadamente a sua capacidade de mitigação dos efeitos negativos da pandemia", resume o grupo.

A insígnia colombiana Ara fechou o ano com vendas de 854 milhões de euros, mais 8,9% face ao período homólogo. O regresso ao crescimento aconteceu "logo que as medidas de confinamento foram levantadas".

O grupo sublinha que "todas as insígnias acabaram, assim, 2020 com modelos reforçados pelo intenso stress test que a pandemia constitui e ainda mais preparadas para enfrentar um contexto operacional que continuará muito exigente em 2021".


Citado no comunicado, o CEO da Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos ressalva que 2020 foi um ano de "exigência sem precedentes" devido ao "contexto pandémico marcado por uma incerteza muito elevada", que colocou o grupo "à prova". O CEO considera que o grupo acabou por superar-se, alcançando um "notável crescimento", ao mesmo tempo que "reforçaram a competitividade em todas as insígnias", mesmo quando "as restrições em Portugal e na Colômbia impactaram o muito intenso tráfego a que as nossas lojas estavam habituadas".

Quarto trimestre com mais restrições

No último trimestre de 2020, as vendas da Jerónimo Martins subiram 2,4% para 5,1 mil milhões de euros. 

Em Portugal, a atividade do grupo foi afetada pelo agravamento das restrições ao comércio, nomeadamente pela obrigação de encerramento às 13h aos fins de semana nos concelhos de risco mais elevado. 

"As regras de confinamento em vigor no 4T foram, para o sector do retalho alimentar, as mais restritivas desde o início da pandemia. A partir do segundo fim de semana de Novembro, a imposição do recolher obrigatório à uma da tarde aos Sábados e Domingos, com obrigação de encerramento à mesma hora das lojas alimentares com mais de 200 m2 , em grande parte dos municípios do país (incluindo Lisboa e Porto), afectou significativamente a actividade económica", reconhece o grupo.

"Foi neste contexto fortemente condicionado que o Pingo Doce reforçou a sua dinâmica comercial e de comunicação e manteve a sua expansão, conseguindo mitigar o impacto da perda de horas de vendas ao fim de semana e entregar as vendas do trimestre sensivelmente em linha" com as do mesmo período do ano anterior. As vendas comparáveis do Pingo Doce recuaram 2%. Foram inauguradas 13 lojas e remodelados 20 espaços. 

No mesmo período, o Recheio "registou mais um trimestre afectado pela ausência de actividade turística a que acresceu o impacto sobre a restauração das restrições ao fim de semana". As vendas caíram 16,7%.

Na Polónia, as vendas da Biedronka subiram 10,4% no quarto trimestre, apesar do "contexto epidemiológico em agravamento", durante o qual "foram estabelecidas novas restrições à circulação de pessoas, nomeadamente limites ao número de clientes dentro das lojas, encerramento de centros comerciais em Novembro e a partir de 28 de Dezembro, encerramento de restaurantes e funcionamento das escolas com ensino à distância".


A Jerónimo Martins explica que, apesar de as restrições terem impactado as vendas de impulso, "originaram também alguns factores de mitigação, nomeadamente com o aumento das refeições em casa devido ao encerramento das escolas". No conjunto do ano, a insígnia da joaninha abriu 129 novas lojas.

Já a colombiana Ara registou um aumento das vendas de 6,5% no último trimestre (22,7% em moeda local). Durante o ano, ganhou 56 novas localizações.


A apresentação dos resultados de 2020 da Jerónimo Martins está agendada para o próximo dia 03 de março.

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