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Países pedem limite de preços também para o GNL, Bruxelas recusa

A comissária europeia da Energia Kadri Simson garantiu que Bruxelas está a "trabalhar com os seus fornecedores de gás natural liquefeito para garantir preços melhores".

Kadri Simson é a comissária europeia responsável pela pasta dos assuntos energéticos.
Olivier Hoslet/Lusa
Bárbara Silva barbarasilva@negocios.pt 09 de Setembro de 2022 às 15:46
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"Na próxima semana vamos propor medidas sem precedentes para tempos sem precdentes". A promessa foi feita pela comissária europeia para a Energia, Kadri Simson, no final da reunião extraordinária dos ministros da Energia dos Estados-membros da União Europeia, na qual esteve em cima da mesa o pacote de medidas apresentado esta semana por Ursula von der Leyen para reduzir as faturas de energia.

A comissária confirmou que Bruxelas vai avançar, com o apoio dos Estados-membros, a imposição de um teto máximo para os preços do gás comprado à Russia, mas não sem antes "falar com os países mais dependentes do gás russo e que estão a ter dificuldades em encontrar outras alternativas" de abastecimento.

No que diz respeito à Alemanha, um dos países mais dependentes do gás que chega da Rússia via pipeline, o ministro da Energia Robert Habeck disse à saída da reunião que o Governo planeia "usar o gás que tem nas suas reservas, no entanto os preços ainda estão muito altos para que seja possível repor o mesmo". "Estamos preparados para enfrentar o inverno com as precauções que pusemos em prática", disse o governante alemão. 

Na reunião desta sexta-feira, todos os países, sem exceção, se manifestaram a favor da imposição de um limite de preços à Rússia, revelou o ministro italiano da Energia, Roberto Cingolani, à saída da reunião, revelando que o gasoduto entre a Península Ibérica e França via Pirenéus foi debatido na reunião, estando neste momento numa fase de "estudo técnico muito delicado". 

No entanto, o governante acrescentou que vários países insistiram que fosse também imposto um teto aos preços do gás natural liquefeiro que a Europa está a ter de comprar para garantir que continua a ter segurança abastecimento depois de a Rússia ter encerrado o gasoduto Nord Stream. 

Esta sexta-feira, o Financial Times dava conta que pelo menos 10 países europeus se mostravam reticentes quanto o teto ao gás russo e tinham já alertado para as consequências da aplicação da medida, com outros três (Itália, Polónia e Grécia) a contestarem mesmo a proposta.

Sobre o teto também para o GNL, Kadri Simson garantiu que estão a ser dados os "passos necessários para preparar o inverno", sendo que ao nível do GNL Bruxelas está a "trabalhar com os seus fornecedores de gás natural liquefeito para garantir preços melhores".   

"Vários ministros pediram também um limite de preços para GNL, mas isso pode colocar problema de segurança de abastecimento, já que a Europa não é um dos maiores compradores a nível global. Estamos a tentar reduzir os preços do gás de outra forma, mas estamos a negociar preços mais baixos de GNL para Europa", garantiu a comissária, que se tem deslocado a países como a Nigéria, entre outros, para garantir também uma "diversificação no abastecimento". 

Ainda no gás, a UE planeia criar um índice de preços complementar, tendo em conta que o "TTF não reflete o que se passa na Europa". 

A responsável da pasta da Energia na UE sublinhou as duas medidas aprovadas no início do verão -- aumentar as reservas de gás da UE e reduzir o consumo --, que todos os países têm seguindo, permitindo que à data de hoje as reservas estejam já nos 83%, acima da meta de 80% estabelecida para novrmbro. "Temos de continuar com duas medidas. Todos podemos concordar que foram duas boas iniciativas", afirmou. 

Quanto aos preços recorde da eletricidade atingidos na Europa este verão, a comissária frisou que Bruxelas vai também avançar com metas obrigatórias de redução da procura de eletricidade nas horas de pico, quando há mais energia térmica nos mercados grossistas e a energia elétrica é, por isso, mais cara. 

E se Jozef Síkela, vice-primeiro ministro e ministro da Indústria e Comércio da República Checa, país que detém neste momento a presidência da UE, disse que "esta redução da procura de eletricidade deve ser voluntária, e que qualquer redução obrigatória ainda vai ser debatida", Simson foi clara ao dizer que Bruxelas vai mesmo "impor limites o brigatórios no consumo de energia elétrica nas horas mais caras". 

A Comissária falou ainda do teto ao preço da eletricidade produzida a partir de fontes renováveis, dizendo que "deve ser aplicado de forma a continuar a incentivar o investimento" nestas energias verdes. E quanto às energia fósseis disse que os seus lucros também têm de ser taxados ou reinvestidos em soluções mais amigas do ambiente.
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