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Lucros do Grupo RAR caíram 65% antes da pandemia

O grupo do Porto teve uma quebra nas vendas e nos lucros em 2019, mas prevê para este ano uma “melhoria da rendibilidade”, apesar da covid-19. A Colep fechou mais uma fábrica de enchimento de embalagens na Alemanha.

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António Larguesa alarguesa@negocios.pt 01 de Julho de 2020 às 14:27
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O Grupo RAR teve resultados líquidos de 3,4 milhões de euros em 2019, o que significa uma quebra de 65% face aos 9,8 milhões de euros que tinha registado no ano anterior. O volume de negócios caiu mais ligeiramente, de 785 para 781 milhões de euros no ano passado.

 

Segundo o Relatório e Contas divulgado esta quarta-feira, 1 de julho, o grupo liderado por João Nuno Macedo Silva apresentou um EBITDA de 60 milhões de euros. Com um portefólio em que se destacam a área alimentar e das embalagens, soma 4.228 colaboradores e está presente na Alemanha, Brasil, Emirados Árabes Unidos, Espanha, México, Polónia e Reino Unido.

 

"Num clima de abrandamento do ritmo de crescimento da economia mundial, o grupo apresentou uma rendibilidade recorrente dos seus negócios marginalmente aquém da de 2018, ao mesmo tempo que o endividamento líquido se manteve estabilizado em 213 milhões de euros", lê-se na nota publicada esta manhã pela sociedade sediada no Porto e controlada pela família Macedo Silva.

 

Perante uma pandemia que a desafia a "reagir às ameaças e a aproveitar novas oportunidades na gestão das operações, cadeias de valor e colaboradores", o grupo RAR analisou os "cenários" a nível operacional e de necessidades de financiamento e conclui que "as operações são bastante resilientes" devido à exposição ao setor alimentar e aos produtos de grande consumo fabricados pela Colep.

 

"A inversão da situação do setor açucareiro europeu, as boas perspetivas sustentadas pela competitividade da Vitacress e o reajustamento da reestruturação da Colep permitem perspetivar um ano de 2020 com melhoria da rendibilidade, mesmo considerando os efeitos da covid-19", completa a holding neste relatório.

 

Corta fábricas e aposta na terra

 

Líder global nas indústrias de embalagem e "contract manufacturing" de produtos para cosmética, higiene pessoal, cuidado do lar e farmacêutica, a Colep tem fábricas em Portugal, Alemanha, Brasil, Emirados Árabes Unidos, Espanha, México, Polónia e Reino Unido, empregando 2.500 trabalhadores. Em 2019, o volume de negócios diminuiu de 432,3 para 410 milhões de euros, mas "em termos globais teve um ano com alguma melhoria dos seus níveis de rendibilidade recorrente".

 

E depois de 2018 ter sido atribulado no Brasil e também na Europa, com a venda da fábrica alemã de Zülpich – gerou uma perda de 5,8 milhões de euros e forçou a transferir a produção para outras unidades na Alemanha e na Polónia –, em 2019 a empresa baseada em Vale de Cambra tomou a decisão de "descontinuar a sua operação de enchimento de líquidos em Bad Schmiedeberg", no mesmo país, o que "teve um impacto negativo na sua rendibilidade".

 

A Colep tomou a decisão de descontinuar a sua operação de enchimento de líquidos em Bad Schmiedeberg, na Alemanha, que em 2019 teve um impacto negativo na sua rendibilidade. Relatório e Contas do grupo RAR

 

Outro dos negócios que mais receitas gera é o da produção e comercialização de folhas para saladas e de ervas aromáticas. No último exercício ascenderam a 149 milhões de euros, uma subida homóloga de 18%. "A Vitacress teve um ano muito forte, com crescimento de rendibilidade em todas as unidades e reforço das posições de liderança de mercado" em Portugal e no Reino Unido, com a operação nos Países Baixos a ter "um crescimento importante, o que faz antever novas pistas de desenvolvimento no centro da Europa".

 

A empresa agroalimentar liderada em Portugal por Luís Mesquita Dias assinala ainda que continua a investir em várias áreas, como nas instalações e equipamentos, na automação, nas técnicas de cultivo e em matérias de sustentabilidade. Como o Negócios noticiou em maio, a empresa já está a laborar em pleno numa quinta nova em Odeceixe, com uma extensão de 40 hectares, tendo acertado um aluguer de longa duração para aumentar a produção de folhas baby.

 

Açúcar está menos amargo e "descomoditizado"

Na atividade fundacional do açúcar, a RAR voltou a ter "um ano desafiante, com preços de venda enfraquecidos face aos custos da matéria-prima, algo que também impactou a generalidade dos operadores europeus". Ainda assim, houve uma inversão no último trimestre do ano, o que fazia "antever" um 2020 "bastante mais promissor". Depois de ver a faturação cair de 76 para 57,2 milhões em 2018, recuperou parte desse valor ao gerar vendas de 60 milhões de euros em 2019. Para este ano, a empresa diz que está a apostar na "descomoditização" dos seus produtos, aumentando a presença em segmentos de maior valor acrescentado, "ao mesmo tempo que lançou uma série de iniciativas para aumento da eficiência operacional em várias áreas que, já no final de 2019, começaram a revelar os primeiros sinais positivos".

 

O Grupo RAR opera ainda no setor da importação e distribuição de cereais e outras matérias-primas para a indústria agroalimentar através da Acembex. Faturou 158 milhões de euros em 2019 e "tem tido crescente atividade em segmentos como o pet food e cereais biológicos, fornecendo várias multinacionais europeias".

 

Finalmente, no imobiliário concluiu as vendas do Edifício do Parque (Matosinhos) e diz que continua em "bom ritmo" o desenvolvimento do Quinta do Paço Lumiar (Lisboa), projeto desenhado pelo arquitecto Souto Moura e que já tem mais de três quartos das moradias vendidas. Informa ainda que está em fase de licenciamento o matosinhense Novo Parque, um investimento de 22 milhões de euros que vai arrancar em breve a fase de comercialização.

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