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Cofina avança para OPA sobre 100% da dona da TVI

A Cofina, que desistiu em março da OPA sobre a dona da TVI, lançou esta quarta-feira uma oferta modificada sobre a totalidade da Media Capital. A dona do Negócios oferece 41,5 cêntimos por cada ação da Media Capital.

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Pedro Curvelo pedrocurvelo@negocios.pt 12 de Agosto de 2020 às 19:08
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A Cofina, dona do Negócios, Correio da Manhã, CMTV, Record e Sábado, entre outros títulos, lançou esta quarta-feira uma OPA sobre a totalidade do capital da Media Capital, que detém a TVI e várias rádios, entre as quais a Comercial. A OPA é uma versão modificada da oferta lançada em setembro de 2019 e a contrapartida oferecida é de 0,415 euros por ação da Media Capital.

Em comunicado à CMVM, a Cofina assinala que a OPA modificada deixa de estar enquadrada no contrato celebrado com a Prisa para a aquisição da totalidade da subsidiária Vertix e, assim, de 94,69% do capital da Media Capital. Desta forma, as ações detidas pela Vertix passam a ser objeto da oferta. 

No requerimento da Cofina para modificar a oferta, a empresa liderada por Paulo Fernandes invoca a "alteração substancial das circunstâncias que fundaram a decisão inicial de investimento". A CMVM considerou, em resposta ao requerimento, "se ter verificado a superveniência de factos, associados em particular ao contexto da pandemia de Covid-19, que, tendo afetado de forma imprevisível e materialmente adversa os fundamentos em que assentou a configuração originária da oferta preliminarmente anunciada, excederam os riscos àquela inerentes, legitimando o oferente a invocar o direito que o artigo 128.º do Código dos Valores Mobiliários lhe concede de revogar ou modificar sua oferta".

A Media Capital registou perdas de 54,7 milhões de euros no exercício de 2019 e prejuízos de 14,4 milhões no primeiro semestre deste ano, tendo o endividamento atingido os 93,5 milhões de euros.

A Cofina refere que a oferta terá um valor máximo de 35.072.969,70 euros a pagar em numerário, o qual, somando a dívida da empresa, corresponde a uma avaliação da dona da TVI em 130 milhões de euros.

Esta avaliação é idêntica à implícita na aquisição, a 14 de maio, de uma participação de 30,22% na Media Capital pela Pluris, de Mário Ferreira, que pagou 10,5 milhões de euros pela aquisição, que a Prisa considerou "uma avaliação acima das estimativas do mercado efetuadas pelos analistas", indica a Cofina em comunicado.

A Cofina refere como condição de lançamento da oferta que o auditor independente designado pela CMVM não determine uma contrapartida superior a 0,415 euros. Já quanto à eficácia da OPA, esta está dependente da aquisição de "mais de 50% do capital social e direitos de voto da sociedade visada". E lembra que a mesma beneficiará das autorizações regulatórias já previamente obtidas Autoridade da Concorrência e da ERC.

"A aquisição da Media Capital pela Cofina integra-se na estratégia de consolidação dos media no plano global, mantendo-se no essencial a atividade destas sociedades e das sociedades que com estes estejam em relação de domínio ou grupo, permitindo potenciar o investimento na expansão digital, o lançamento de serviços inovadores e a promoção e desenvolvimento de conteúdos produzidos em Portugal, mantendo-se a Media Capital como um ativo com identidade portuguesa", justifica a empresa no comunicado.


Esta não é a primeira vez que a Cofina tenta comprar a Media Capital. Em setembro do ano passado, a empresa liderada por Paulo Fernandes lançou uma OPA sobre a dona da TVI, tendo anunciado também um aumento de capital. Na altura, a operação estava avaliada em 255 milhões de euros, com uma contrapartida de 2,1322 euros por ação para a Prisa e um valor de 2,3336 euros para os restantes acionistas.

Já em dezembro, o valor a pagar à Prisa pela participação na Media Capital foi revisto em baixa, para 205 milhões de euros, após a contrapartida ter sido reduzida para 1,5406 euros.

Contudo, o aumento de capital previsto pela Cofina, no montante de 85 milhões de euros, não foi totalmente subscrito, motivo pelo qual a dona do Negócios indicou que o aumento de capital ficava sem efeito e, consequentemente, que não estavam "reunidas as condições de que depende a conclusão do negócio de compra e venda das ações da Vertix (e indiretamente da Média Capital) previsto no contrato".

A 25 de março, a Cofina solicitou à CMVM o fim da OPA sobre a Media Capital. O regulador, a 18 de maio, indeferiu o requerimento da Cofina para extinguir a OPA, pelo que agora a empresa liderada por Paulo Fernandes modificou os termos da oferta.
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