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"Se tivermos de subir mais os juros ao longo do tempo, iremos fazê-lo", promete Powell

O líder da Fed respondeu às questões do Congresso dos Estados Unidos sobre a estratégia para travar o impacto da inflação e afirmou que ainda há um "longo caminho" até a política monetária voltar ao "normal".

Reuters
Leonor Mateus Ferreira 11 de Janeiro de 2022 às 16:02
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A Reserva Federal (Fed) norte-americana está preparada para usar todos os instrumentos que tem à disposição para fazer face à inflação. A garantia foi dada pelo governador Jerome Powell, que diz estar disponível para acelerar ainda mais que o estimado atualmente as taxas de juro de referência.

"Se tivermos de subir mais as taxas de juro ao longo do tempo, iremos fazê-lo", afirmou Powell, numa audição no Senado dos Estados Unidos, que está a decorrer esta terça-feira. "Vamos precisar de estabilidade dos preços" e "vamos usar as nossas ferramentas para trazer a inflação de volta" aos níveis ambicionados pelo banco central (ou seja, uma taxa próxima de 2%).

O líder da Fed - cujo duplo mandato é de estabilidade dos preços e de pleno emprego - alertou que a elevada inflação é uma ameaça severa ao progresso do mercado de trabalho. "A estabilidade dos preços é metade do nosso mandato. Não há base legal para dar preferência à estabilidade dos preços em detrimento do pleno emprego ou vice-versa", defendeu.

Os EUA vão divulgar esta quarta-feira os muito aguardados dados da inflação em dezembro, sendo que as projeções dos analistas consultados pela Bloomberg apontam para uma aceleração homóloga de 7% após 6,8% registados em novembro.

O presidente da Fed explicou que tanto o staff do banco central como a generalidade dos economistas esperava que, por esta altura, a inflação já estivesse a aliviar, mas que os constrangimentos nas cadeias de abastecimento estão a prolongar a situação.

Os decisores políticos do comité da Fed sinalizaram, por isso, que poderão vir a subir o intervalo das taxas de juro (que atualmente se situa num intervalo entre 0% e 0,25%) três vezes este ano e outras tantas no próximo, a começar já a partir de março. Mas o mercado começa a achar que não é suficiente, com o Goldman Sachs por exemplo a apontar para quatro aumentos.

No Congresso, Powell foi questionado sobre as medidas que estão a ser adotadas, com o senador Richard Shelby a fazer comparações com a "era draconiana" de combate à inflação nos anos 1970, sob a liderança de Paul Volcker.

O presidente da Fed sublinhou que a economia "já não precisa nem quer" o nível de estímulos que estavam em vigor até aqui. 
No âmbito dos estímulos em período pandémico, o banco central começou por desembolsar biliões de dólares na compra de ativos, que entretanto reduziu para 120 mil milhões de dólares por mês.


Em novembro e dezembro de 2021 deixou de investir 30 mil milhões de dólares nestas compras (15 mil milhões em cada um dos meses), pelo que o ritmo de compra de ativos com que entrou em 2022 estava na base dos 90 mil milhões de dólares por mês: 60 mil milhões de dólares em obrigações do Tesouro (OT) e 30 mil milhões em títulos garantidos por hipotecas.

Em dezembro anunciou uma duplicação no ritmo do "tapering" devido à persistente inflação, com o corte a passar a ser de 30 mil milhões (divididos entre 20 mil milhões no caso das OT e 10 mil milhões no que diz respeito aos títulos endossados a hipotecas). "É uma longa estrada até ao normal", acrescentou esta terça-feira Powell no Congresso.


(Notícia atualizada)
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