O regresso da "Realpolitik" num mundo sem ilusões
A "Realpolitik" não é cinismo, é reconhecimento da realidade e ignorá-la, sobretudo no domínio marítimo, não a faz desaparecer, apenas fragiliza quem insiste em não a ver.
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Durante décadas, gostámos de acreditar que a globalização, o direito internacional e as instituições multilaterais tinham domesticado a política do poder e moldado de forma duradoura as relações internacionais. Falava-se de interdependência complexa, de regras comuns e de ganhos mútuos. Acreditámos tanto nessa narrativa que chegámos mesmo a antever o fim da História, com a perpetuação de uma ordem liberal global, tal como postulado por Francis Fukuyama. Hoje, essa visão perdeu força. A "Realpolitik" regressou ao centro da cena internacional de forma crua, pragmática e ancorada num realismo estrutural cada vez mais marcado. Ao contrário da "Realpolitik" de Otto von Bismarck, que emergiu com o desmantelamento do Concerto da Europa de Klemens von Metternich, a versão contemporânea fá-lo com uma novidade decisiva. O oceano global deixou de ser mero pano de fundo e passou a integrar o núcleo duro da equação do poder.
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