Ormuz e o regresso da geografia dos Lusíadas
Num mundo ainda marcado por uma forte interdependência económica, a geografia continua a ditar o poder; e, neste caso, quem condiciona os estreitos marítimos internacionais, condiciona igualmente a sua dinâmica global.
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Num sistema internacional marcado pela fragmentação do poder e pelo regresso da competição entre grandes potências, há constantes que resistem no tempo. Entre elas, e visto pelos olhos atuais, destaca-se a centralidade dos estreitos marítimos como pontos de controlo dos fluxos globais. O que hoje se observa no estreito de Ormuz, sob a influência estratégica do Irão, encontra ecos claros na lógica de poder portuguesa do século XVI, lógica essa bem documentada nos Lusíadas. A epopeia de Luís de Camões não é apenas literatura, é também uma leitura geopolítica do mundo. A viagem de Vasco da Gama abriu rotas, mas foi o controlo de pontos-chave como Malaca e Ormuz que permitiu transformar mobilidade, e o seu controlo, em poder efetivo. Ao controlar estes estreitos, Portugal quinhentista condicionava os fluxos comerciais entre o Índico, o golfo Pérsico e a Europa, isto é, o mundo comercial estabelecido à altura. Hoje, num mundo global, esta lógica permanece surpreendentemente atual.
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