Afinal, o que vale uma linha vermelha?
Historicamente, uma linha vermelha tinha um significado claro. Representava um limiar cuja ultrapassagem justificaria uma reação concreta, normalmente militar, política ou económica. O conceito assentava na credibilidade. Não bastava anunciar consequências, sendo necessário existir capacidade e vontade política para as executar.
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Num sistema internacional cada vez mais fragmentado, as chamadas “linhas vermelhas” tornaram-se um dos instrumentos mais utilizados, e simultaneamente mais desgastados, da linguagem estratégica contemporânea. Da Ucrânia ao Médio Oriente, multiplicam-se declarações sobre limites inultrapassáveis cuja violação desencadearia respostas decisivas. Contudo, a realidade demonstra precisamente o contrário, sendo muitas dessas linhas ignoradas, reinterpretadas ou simplesmente esquecidas. O resultado é um progressivo desgaste da credibilidade diplomática das grandes potências e um aumento do risco estratégico global.
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