O inverno das Nações Unidas
Se o sistema multilateral continuar bloqueado por rivalidades estratégicas, o risco é que a governação do oceano passe progressivamente de um modelo baseado em regras para uma lógica marcada sobretudo pela correlação de forças.
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Durante grande parte do período que se seguiu ao fim da Guerra Fria, instalou-se a perceção de que a ordem internacional liberal, assente em regras multilaterais e em instituições globais, teria capacidade para gerir as principais crises internacionais. No centro deste sistema encontrava-se a Organização das Nações Unidas, concebida como o principal fórum de concertação entre Estados e como instrumento de prevenção e resolução de conflitos. Hoje, porém, a realidade parece bem diferente. O regresso da competição estratégica entre grandes potências, o agravamento das tensões regionais e a crescente fragmentação do sistema internacional expõem as limitações de um modelo de governação global que depende, em larga medida, da capacidade de compromisso entre atores cujos interesses se tornaram novamente divergentes. O bloqueio recorrente do Conselho de Segurança em várias crises recentes é apenas o sintoma mais visível desta transformação.
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