Sotaro Nishikawa
Sotaro Nishikawa 08 de novembro de 2018 às 21:50

Japão e Portugal: alta tecnologia 

Ao participarmos na cerimónia de abertura do Web Summit 2018, com a participação de 69.304 pessoas de 159 países, sentimos a ambição de Portugal em ser um centro de tecnologia.

O interesse do Japão em investir na Europa está a crescer: 11,4% do capital de risco japonês investido no exterior no segundo trimestre de 2018 foi na Europa, de acordo com o último relatório do Venture Enterprise Center. Este montante é superior ao aplicado na América do Norte. O investimento faz parte de um ciclo mais amplo: o governo japonês aposta na inteligência artificial como a chave para reescrever o projeto do país para o futuro. A ideia é simples: um maior uso de inteligência artificial e da robótica, incluindo IoT (Internet of Things), como parte central da estratégia de crescimento económico.

 

Neste sentido, algumas empresas japonesas, como a SoftBank e a Fujitsu, procuraram parceiros para alcançar os seus objetivos na Europa. Na verdade, a União Europeia (UE) tem atraído a maior parte do investimento do Japão no exterior, mas ainda existe um potencial considerável para uma maior expansão do investimento em tecnologia japonesa. E depois há uma novidade importante: o acordo de parceria económica entre o Japão e a UE, que poderá criar a maior área económica aberta do mundo e que entrará em vigor já no início de 2019.

 

Se recuarmos no tempo, o primeiro contacto entre Portugal e o Japão foi em 1543, na altura dos Descobrimentos. Foram os portugueses os primeiros europeus a chegar ao Japão. Nos últimos dez anos, o ecossistema português tem crescido exponencialmente e tem atraído grandes empresas estrangeiras que investem em bases de desenvolvimento digital como a Fujitsu, a Daimler, a Google, entre outras. O Japão tem grandes expectativas em relação ao ecossistema português, particularmente no grande potencial do desenvolvimento digital e crescimento constante do ecossistema das start-ups.

 

Penso que o Web Summit, realizado em Lisboa desde 2016 - e que permanecerá aqui por mais dez anos - também contribui para aumentar as oportunidades em Portugal não só para as start-ups japonesas, o que já seria importante, mas também para o Venture Capital japonês e para outros investidores. É realmente um forte incentivo para o desenvolvimento dos seus negócios nesta parte do mundo.

 

Ao participarmos na cerimónia de abertura do Web Summit 2018, com a participação de 69.304 pessoas de 159 países, sentimos a ambição de Portugal em ser um centro de tecnologia. Nós, JETRO, como agência governamental japonesa focada nesta área de negócio, também estamos empenhados em apoiar as empresas  japonesas que desejam expandir as suas atividades em Portugal.

 

E o que trazemos? A fim de concretizar a "Sociedade 5.0" trazida pela Quarta Revolução Industrial, o governo japonês está a tentar utilizar o dinamismo do setor privado que faz uso de novas tecnologias e ideias para os negócios. Para isso, estamos a implementar reformas institucionais corajosas, como (1) melhoria da infraestrutura para uma sociedade orientada pela utilização de dados e (2) o estabelecimento de um contexto de sandbox. Ou seja, a criação de um espaço protegido onde se podem lançar ideias e projectos sem consequências negativas, uma atmosfera especificamente criada para experimentar e iniciar. Concretizo: o Programa J-Startup é uma  iniciativa lançada pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, em que cerca de 100 start-ups recebem medidas de apoio intensivo que lhes permitem desenvolver negócios no exterior.  

 

Diretor do Departamento de Propriedade Intelectual e Inovação JETRO

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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