Paulo Carmona
Paulo Carmona 22 de abril de 2019 às 22:45

Anátemas conservadores

Demonizar o privado e o mercado continua a ser um entretenimento da esquerda mais radical. Tem sido este pensamento retrógrado e conservador que sempre tem lutado contra a modernização do país e o seu desenvolvimento económico e social.

A FRASE...

 

"Ideias ingénuas que querem abrir o mercado ao privado."

 

Ministro Vieira da Silva, TSF, 11 de abril de 2019

 

A ANÁLISE...

 

Demonizar o privado e o mercado continua a ser um entretenimento da esquerda mais radical. Tem sido este pensamento retrógrado e conservador que sempre tem lutado contra a modernização do país e o seu desenvolvimento económico e social. Foi assim com a reprivatização da banca, dos seguros e de alguns setores ditos constitucionalmente estratégicos, a abertura de canais privados de televisão, a gestão privada de hospitais públicos e, mais recentemente, a concessão a privados dos Estaleiros de Viana do Castelo. Mas será que faz sentido, em pleno século XXI, manter uma cartilha ideológica antiga e ultrapassada, lançando anátemas sobre o setor privado, ou mesmo distinguir entre público e privado? Não, simplesmente não. Para registo, até Deng Xiaoping, o líder comunista chinês evoluiu, retirando centenas de milhões de chineses à pobreza, quando disse que não importa se o gato é branco ou preto, desde que cace ratos. O povo português também se está nas tintas se o serviço é público ou privado desde que seja bom, se o Governo é de esquerda ou direita desde que tenha melhores condições pessoais e familiares, ou que o dono do restaurante seja do Benfica ou do Sporting desde que a comida seja boa.

 

Triste é que esta ortodoxia de pensamento único antiprivado não tenha evoluído, nem o dogma de colocar o Estado acima dos cidadãos, privados, num abuso do contrato social de Rousseau, uma parceria de associação e não de submissão.

 

50 anos depois de Abril a liberdade que a esquerda construiu, com os seus dogmas, é só para os ricos. Queres ter uma reforma condigna? Poupa e investe onde quiseres. Queres ter uma Justiça que te defenda? Contrata um bom e caro advogado. Queres ter uma consulta ou uma cirurgia em tempo útil? Paga um seguro ou és funcionário público com ADSE. Queres escolher uma escola para os teus filhos? Paga. Para os 75% dos agregados familiares em Portugal, os que têm rendimentos brutos inferiores a 2.000 euros por mês, liberdade de escolha é algo que lhes é vedado. O burocrata de serviço sabe bastante melhor o que é bom para eles e os políticos de ocasião trabalham e falam sempre em seu nome, que o público é que é bom e têm muita sorte. Estúpidos são os que pagam para recorrer ao privado. Será que é mesmo? Porque será?

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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