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Paulo Carmona 29 de Outubro de 2020 às 08:45

O importante, apoiar as pessoas

A poupança é essencial para o investimento e o consumo levanta a economia. Se estão preocupados em ajudar as pessoas façam-no diretamente, é mais claro, transparente e verdadeiramente o objetivo.

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A FRASE...

 

"A recuperação para 2021 assentará sobretudo no consumo público e menos no consumo privado, e não no investimento ou na procura externa." 

 

Joaquim Miranda Sarmento, ECO, 13 de outubro de 2020

 

A ANÁLISE...

 

Segundo Durão Barroso, vem aí "uma pipa de massa", supostamente a fundo perdido, mas que todos iremos pagar com os novos impostos europeus. Uns países mais que outros, mas não há almoços grátis. E anda o Governo numa azáfama a zurzir no Bloco por ter abandonado o barco da "geringonça", enquanto se tenta manter à tona, com o apoio complexo de seis forças políticas, PS, PCP, PEV, PAN e duas independentes, para ver se ainda lá está aquando dessa orgia de distribuição da "massa". Ou pelo menos comprometer por contrato a execução desses fundos por firmas e entidades da sua confiança. O grande problema é que o início provável da dispersão dessa pipa ocorrerá por alturas do verão de 2021, após a presidência europeia, aquando do final das moratórias e alguns lay-offs apoiados. Ou seja, quando desligarmos a máquina à economia. A DBRS Morningstar avisou na semana passada que os bancos portugueses têm a maior proporção de moratórias do total bruto de créditos, 22%, bastante acima da Irlanda 13% ou Espanha com 9%. Isto é, estamos a adiar o problema, e uma prova que o Governo usa e abusa de medidas de apoio à economia que não custem dinheiro, ou o mínimo possível. Isso ajudará a manter vivas empresas que deveriam morrer para dar lugar a novas e melhores, uma má sina portuguesa muito pouco liberal, e apressando os bancos a pedirem mais apoio para as empresas em geral, com receio do seu balanço e pena dos seus acionistas descapitalizados.

O Governo socialista tem outras ideias, que se reduzem a uma. O Estado é que sabe o que é melhor para a economia, lembrou-se do investimento público, esquecido durante cinco anos, para aplicar a pipa, e mais uns quantos dirigismos e consumos públicos, sempre em apoio social, na caça ao voto e manutenção duma classe de dependentes, maior que outros países. E vamos insistindo no erro. O Estado não cria riqueza. Apoiar as empresas que criam riqueza é melhor, mas quais devemos apoiar? Não esqueçamos o que é mais importante, apoiar as pessoas. Entregar diretamente dinheiro às pessoas, como fazem noutros países, o "dinheiro do helicóptero", para que consumam ou poupem. A poupança é essencial para o investimento e o consumo levanta a economia. Se estão preocupados em ajudar as pessoas façam-no diretamente, é mais claro, transparente e verdadeiramente o objetivo.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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