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Roland Berger Consultants 26 de Junho de 2016 às 19:10

"Eu, Robot", um filme já visto? 

As soluções robóticas têm sido desenvolvidas a elevado ritmo, desde que os gigantes da internet as consideraram "drivers" de expansão.

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A robotização (não confundir com automação) destaca-se pela flexibilidade de configuração e pela facilidade de integração com operadores humanos nas infra-estruturas actuais. A chegada em massa destes equipamentos à indústria logística é uma realidade. Com a diminuição dos custos de fabrico e o aumento da consistência destas soluções, podemos considerar que estamos no começo de um verdadeiro "tipping point" para esta indústria. A questão centra-se, hoje, na rapidez de implementação destas soluções e nos efeitos que acarretará para o mercado de trabalho.

 

1,5 milhões de empregos

 

Como consequência directa, a robotização logística fará desaparecer postos de trabalho não qualificados, directa ou indirectamente, ligados à indústria logística. Só na Zona Euro, a Roland Berger estima que 1,5 milhões de empregos directos serão destruídos nos próximos 15 anos. No entanto, com a aceleração dos ciclos tecnológicos, esta transformação poderá até acontecer num período inferior. Como esperado, os sectores mais afectados por esta transformação serão a distribuição, a indústria transformadora e os prestadores de serviços logísticos.

 

Comparação com a indústria automóvel

 

Se de um ponto de vista microeconómico, a robotização da logística parece inevitável, numa visão macroeconómica, estes efeitos são difíceis de antecipar. A dúvida persiste na possibilidade de os postos de trabalho perdidos serem compensados por outros de maior valor acrescentado, a montante e a jusante. Estes efeitos podem ser estimados, se os compararmos com a robotização da indústria automóvel europeia, vivida entre 1975 e 1990.

 

Neste período, a produtividade na indústria automóvel europeia duplicou, enquanto a mão-de-obra diminuiu em 50%, os cargos de supervisão mantiveram-se e os cargos de chefia quase duplicaram. Simultaneamente, as condições de trabalho melhoraram e os acidentes de trabalho diminuíram. Este aumento de competitividade permitiu aos "players" robotizados a possibilidade de competir numa escala global e de alcançar uma maior base de consumidores.

 

Muitos paralelismos poderão ser derivados deste exemplo, mas, a solução não passará pela exportação ou pelo aumento da qualidade de serviço. A exportação não é aplicável à indústria logística devido à sua natureza local, enquanto o aumento de qualidade de serviço só funcionará até à optimização das cadeias de valor locais.

 

A solução

O caminho a seguir passa pelo aproveitamento do aumento de competitividade na indústria, de forma a criar novos postos de trabalho. Para competir a uma escala continental, os operadores europeus deverão atrair centros de distribuição e prestação de serviços logísticos. Só assim é que o "problema" da robotização passará a solução, já que uma "expertise" em robótica logística terá de ser desenvolvida localmente: formando quadros especializados e impulsionando start-ups nesta área. Para tal, será necessário um esforço europeu de aceleração do financiamento e do apoio à investigação e formação em robótica logística. Caso contrário, os robôs a operar serão produzidos no Japão, Coreia e China, enquanto os postos de trabalho perdidos serão criados a montante e a jusante, justamente nestes países.

 

Estará a Europa preparada para escrever o guião deste filme? 

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