Em busca da felicidade
O líder dos conservadores britânicos, David Cameron, dizia, há uns dias, que era tempo de os políticos admitirem que há coisas mais importantes na vida do que o dinheiro e era tempo de o discurso se focar menos no OGE e mais no Orçamento Geral da Felicida
Défice é sinónimo de tristeza. É talvez por isso que Portugal, eterno amolador das facas que não cortam convenientemente o OGE, vive melancolicamente. Cada vez que chega um novo OGE este país veste um xaile e lava-se em lágrimas. Ou porque cortou a mais. Ou a menos. Cada OGE, em Portugal, é um ajuste de contas com o passado. Raramente é um crédito para o futuro. Mas, para Sócrates, este é um momento de apertar o cinto, lançar as bases da mudança administrativa e, depois, poder colher os louros. De poder ficar, na história, como Sócrates, o Reformador. O problema é que as reformas fazem-se e as eleições perdem-se. Ninguém reforma para se imolar politicamente. E Sócrates não deseja sacrificar-se sem sentido. Daí que o Estado continue a cortar na gordura dispensável para continuar a ser convenientemente flácido. O líder do Governo, como político arguto, sabe que quando se abatem demasiados coelhos se arrisca a ficar sem caça. Sócrates está a fazer o número de trapezista da sua vida. Primeiro tenta reformar o Estado. Depois há-de prometer algo que falta aos portugueses: a felicidade. E, por fim, há-de pedir-lhes algo em troca: o seu voto, em 2009.
Mais lidas