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Próximo confinamento dura um mês e escolas podem fechar a partir do 2.º ciclo

À saída da reunião no Infarmed, o primeiro-ministro revelou que as medidas que serão anunciadas para o próximo confinamento terão um "horizonte de um mês". Já as escolas geram "dúvidas" e aparentemente garantida está somente a não suspensão das aulas presenciais até ao 6.º ano de escolaridade.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 12 de Janeiro de 2021 às 14:23
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Apesar da existência de algumas informações "contraditórias" hoje transmitidas pelos especialistas em saúde pública na reunião que decorreu na sede do Infarmed, em Lisboa, houve o consenso necessário para se concluir que o próximo confinamento tenha a duração de um mês e assuma "um perfil muito semelhante" ao adotado logo no início da pandemia, revelou António Costa em conferência de imprensa. 

O primeiro-ministro anunciou depois que apesar do confinamento generalizado que deverá ter início a partir da próxima quinta-feira, "todos os especialistas foram convergentes" na ideia de que as escolas com alunos até aos 12 anos (ou seja, até ao segundo ciclo que termina no 6.º ano de escolaridade) devem permanecer abertas, ficando em aberto a possibilidade de suspender as aulas presenciais para os alunos do 3.º ciclo e do secundário. 

Tendo em conta que, aquando da primeira vaga da pandemia, e subsequente encerramento das escolas em todos os níveis letivos, o Governo concedeu somente apoios às famílias com filhos até aos 12 anos, deste modo, e mesmo que o Executivo decida suspender as aulas a partir do 6.º ano, não haverá necessidade de conceder apoios públicos para que os pais possam ficar com as crianças em casa.

Costa defendeu que apesar da necessidade de renovação quinzenal do estado de emergência, é necessário assegurar medidas de combate à propagação do novo coronavírus com maior horizonte temporal, desde logo porque "entre o momento da decisão" e começarem a surtir os efeitos dessas medidas "na alteração da curva de crescimento da pandemia, há sempre uma dilação de duas ou três semanas".

O líder do Executivo salientou, porém, que as medidas que o Governo vai anunciar amanhã poderão ser revistas após os primeiros 15 dias, podendo estas ser "aligeiradas" se a primeira quinzena "correr bem". Mas se as primeiras duas semanas sob novo confinamento geral não decorrerem da melhor forma, poderão ser adotadas "medidas ainda mais rígidas para a segunda quinzena". 

Dada a "fortíssima dinâmica de crescimento" de contágios à razão de cerca de 10 mil novos casos a cada dia, e ainda que haja uma "grande variação" nos números observados nos últimos dias, António Costa considera que não bastam as medidas restritivas que têm vigorado aos fins-de-semana. "Temos de ir mais além" para "travar" o crescimento dos contágios, sustentou argumentando que isso faz-se com "confinamentos". 

Escolas geram "divergências muito grandes" entre especialistas
Menos consensual foi a avaliação ao eventual encerramento de escolas, ainda que parcial. Costa explicou que "todos os especialistas foram convergentes que, relativamente às crianças até aos 12 anos, nada justifica o encerramento das escolas". Já quanto à faixa etária intermédia entre o 2.ºciclo e o ensino universitário, houve "divergências muito grandes entre os próprios especialistas" e gerou-se uma "divergência particularmente viva" entre os cientistas. 

Assumindo a interpretação feita pelo também secretário-geral do PS, a escola em si mesma não é um "foco de infeção ou de perturbação, mas é mais um fator de movimentação das pessoas", da qual "resulta naturalmente um maior risco de transmissão" do vírus.


Seja como for, Costa não enjeita a responsabilidade de decidir e assume que apesar de alguma "informação contraditória", o encontro no Infarmed possibilitou recolher "mais informação". "A responsabilidade da decisão é sempre dos responsáveis políticos", concluiu atirando para o Conselho de Ministros desta quarta-feira uma decisão sobre a matéria.

O Presidente da República, que conta já dois testes negativos e que se mantém em isolamento profilático, fala hoje ao telefone com os partidos para ouvir as suas opiniões sobre a renovação do estado de emergência. Ainda esta terça-feira, Marcelo Rebelo de Sousa envia o projeto de decreto do estado de emergência ao Governo, que dará o respetivo parecer ainda hoje. Também amanhã caberá ao Parlamento votar o prolongamento do regime de exceção, que deverá ser aprovado, pelo menos, com os votos favoráveis de PS e PSD.

 

Costa alerta contra relaxamento ante a pandemia
O chefe do Executivo voltou a assumir como cenário provável a adoção das medidas mais restritivas antes ainda de terminar o atual estado de emergência, que vigora até às 23:59 de 15 de janeiro, para assim se reagir o "mais rapidamente possível" ao crescimento de novos casos.

Nas respostas aos jornalistas, António Costa sinalizou ainda um relaxamento da sociedade relativamente à gravidade da pandemia, considerando que se verifica agora uma "razoável habituação" aos números elevados de contágios e que se fossem registados durante a primeira vaga seriam considerados "astronómicos".

"Infelizmente a perceção do risco aparente tem vindo a diminuir e isso traduz-se numa diminuição significativa de máscaras. Ora, isso é um risco muito grande", argumento notando que o surgimento de vacinas não significa que "já estamos protegidos" porque, pelo contrário, o "processo de vacinação vai ser muito longo". 

Tendo em conta que se atravessa uma fase de muito frio em que é habitual ser atingido o pico do vírus da gripe e em que surgem crescentes incertezas acerca da nova estirpe do vírus, "recomenda-se toda a cautela", avisou dizendo que isso "implica" não só um confinamento apertado mas o cumprimento de todas as regras higiénicas preventivas de contágios.


Quanto à previsível degradação do ambiente económico na decorrência de um novo confinamento generalizado, Costa recordou que a dicotomia é sempre a mesma: "Sempre que abrimos as atividades e se melhora a economia, piora a pandemia" e vice-versa.

(Notícia atualizada)

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