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Somos menos, mais velhos, mais qualificados e com mais 37% de estrangeiros. Retrato do país visto pelo Censos 2021

Uma população mais envelhecida, distribuída de forma mais desequilibrada pelo território, com mais imigrantes, significativamente mais qualificada, mas também que vive mais sozinha e mais distribuída por famílias monoparentais. Em dez anos o que mudou no país? O INE divulgou esta quarta-feira os resultados definitivos dos Censos 2021.

Heinz-Peter Bader/Reuters
Filomena Lança filomenalanca@negocios.pt 23 de Novembro de 2022 às 11:49
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A 19 de abril de 2021 viviam em Portugal 10.343.066 pessoas, das quais 4.920.220 homens e 5.422.846 mulheres. Contas feitas, trata-se de um decréscimo de 2,1% face a 2011. Os dados definitivos do Censos foram divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), e se os dados preliminares, avançados em dezembro de 2021, permitiam ter o retrato global, os resultados definitivos traçam agora uma imagem muito mais completa e detalhada, não só de evolução demográfica, mas de hábitos, padrões familiares ou de formação académica. 


Olhando para os números da população, verifica-se que a região do Algarve (3,6%) e a Área Metropolitana de Lisboa (1,7%) registaram um crescimento populacional. Mas nas restantes regiões a tendência foi a oposta, com o Alentejo (-7,0%) e a Região Autónoma da Madeira (-6,4%) a observarem as descidas mais significativas.  


Ao mesmo tempo, acentuou-se o envelhecimento. Nos dez anos entre as duas operações censitárias, verificou-se uma redução da população em todos os escalões etários até aos 39 anos (sobretudo a partir dos 30). Em contrapartida, a percentagem de população idosa (65 e mais anos) representava 23,4% enquanto a de jovens (0- 14 anos) era de apenas 12,9%. 

Em suma, a idade média da população era de 45,4 anos em 2021, um aumento de 3,1 anos face a 2011.

 

Mais estrangeiros, com o Brasil em destaque

Os Censos revelam, por outro lado, que em 2021 residiam em Portugal 542.314 pessoas de nacionalidade estrangeira, o que representava 5,2% do total da população, valor superior aos 3,7% verificados em 2011. 

 

Eram sobretudo brasileiros (199.810 pessoas, cerca de 36,8%), mas também angolanos (5,8% do total). A comunidade cabo-verdiana era a terceira mais representada em Portugal, com 27.144 (5,0%), surgindo os nacionais do Reino Unido com 24.609 (4,5%).

 

Verificou-se uma redução do peso dos estrangeiros com origem na Ucrânia, mas há que ter em conta que os dados foram recolhidos antes da guerra. 

 

Em contrapartida, havia 1.608.094 portugueses a dizer que já tinham vivido no estrangeiro, mas que tinham optado por regressar a Portugal.

 

Mais famílias monoparentais e mais divorciados

"Ao nível das famílias os resultados dos censos mostram claramente uma alteração de padrões", assinalou o presidente do Conselho Diretivo do INE durante a apresentação dos dados. Com efeito, em dez anos reduziu o número de casados (menos 2,2 pontos percentuais) e há mais divorciados do que viúvos. 

 

Os censos mostram que em 2021 cerca de 43,5% da população residente em Portugal era solteira. Os casados representavam 41,0% e as restantes categorias do estado civil, divorciado e viúvo, correspondiam a 8,0 % e 7,5%. 

 

Já as uniões de facto representavam 11,2% (eram 8,8% em 2011), um crescimento de 38,2%. Sobretudo a Sul: o Algarve destaca-se como a região com a maior proporção de uniões de facto (15,5%) e a região Norte com a menor (8,8%). 

Quase 20% são licenciados 

Entre a população com 15 ou mais anos, 19,8% completou o ensino superior, uma percentagem que em 2011 era de 13,9%, e uma evolução significativa, assinala o INE. 

 

As áreas de estudo mais escolhidas eram as "Ciências empresariais, administração e direito", representando 21,8%, logo seguidas da "Saúde e proteção social", com 15,2%. Em contrapartida, a área de estudo "Agricultura, silvicultura, pescas e ciências veterinárias", foi a menos frequentada, representando apenas 2% da população com ensino superior.

 

Fazendo uma análise por sexo, salienta o INE, é possível concluir que os homens optaram sobretudo pelas "Tecnologias da informação e comunicação (TICs)" (80,5%) e pela "Engenharia, indústrias transformadoras e construção" (68,3%). 

 

Já entre as mulheres, a preferência foi para as áreas da "Educação" e da "Saúde e proteção social", com uma proporção de 84,4% e 77,2%, respetivamente. 

 

A taxa de analfabetismo situou-se nos 3,1%, menos  2,1 p.p. relativamente a 2011, em que a taxa era de 5,2%.

 

(notícia atualizada com mais informação)

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