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Artur Mas tem novo plano para a independência da Catalunha

O presidente do governo da Catalunha anunciou esta terça-feira que só convocará eleições antecipadas se estas servirem como o acto consultivo “que o Estados não nos deixa fazer”. Mas propõe a constituição de uma lista única de partidos soberanistas que, no caso de alcançar maioria absoluta, teria legitimidade para declarar independência num prazo de 18 meses.

Bloomberg
David Santiago dsantiago@negocios.pt 26 de Novembro de 2014 às 13:17
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O presidente do governo da Catalunha, Artur Mas, ainda não desistiu do objectivo de garantir a independência para esta região autonómica espanhola. Num comício, na noite desta terça-feira, em Barcelona, o líder da Generalitat declarou só estar disponível para convocar eleições regionais antecipadas se estas servirem para aclarar se os catalães querem, ou não, a independência da Catalunha. Mas parece, assim, ter encontrado uma nova forma para ultrapassar as limitações impostas pela constituição espanhola. 

 

Mas anunciou que só antecipará as eleições regionais se estas serviram para fazer aquilo "que o Estado não nos deixa fazer", começou por dizer. Para o conseguir considera imprescindível a constituição de uma lista única, formada por partidos favoráveis à independência.

 

No entender do político catalão, se os partidos soberanistas alcançarem uma maioria absoluta, tal permitira declarar a independência da Catalunha nos 18 meses seguintes ao acto eleitoral que assumiria também a forma de consulta popular à independência.

 

Nesse sentido, Artur Mas esclareceu que o programa dessa lista teria de deixar claro o objectivo de independência da Catalunha. Essa lista incluiria, naturalmente, os partidos que formam o actual Executivo da Generalitat: a CiU (Convergência e União) e a Esquerda Republicana (ERC).

 

O actual líder da Generalitat admite até a possibilidade de não ser ele a encabeçar a referida candidatura nas eventuais eleições antecipadas, assumindo que poderia ser o último dos elementos dessa lista soberanista em jeito de acto "simbólico".

 

Artur Mas vem sendo pressionado para antecipar as eleições catalãs, previstas apenas para 2016, de forma a tirar partido da recente consulta cidadã não vinculativa que votou no 9-N, por larga maioria, a favor da independência da Catalunha. Mas só admite fazê-lo se esse acto eleitoral antecipado servir, de forma clara, para aferir a real vontade dos catalães em relação à independência da região.

 

Oriol Junqueras, líder da ERC, que também assistia na primeira fila ao discurso de Mas, acabou por não aplaudir e, tal como mostram as imagens televisivas, não conseguiu esconder algum incómodo perante o impacto das palavras do presidente da Generalitat junto da audiência. Junqueras viu nos resultados da consulta popular de 9-N a necessidade de convocação, em tempo útil, de eleições regionais na Catalunha.

 

O desconforto de Junqueras deveu-se às palavras que Mas parece ter dirigido para o líder da ERC. "Só anteciparei as eleições se for para fazer a consulta. Se for só para mudar de governo, de nada servirá", atirou Mas citado pelo El País.

 

Depois de o Tribunal Constitucional ter impedido a realização, primeiro de um referendo sobre a independência, e depois de uma consulta popular observada pela Generalitat, o 9-N acabou por acontecer sob a forma de consulta cidadã, organizada por cidadãos.

 

Também por isso, o líder da CiU propõe que a lista única represente uma candidatura mista com representantes propostos pelos partidos, pela sociedade civil e por personalidades de categoria "reconhecida" propostas pelos partidos. Isso daria maior legitimidade às eleições autonómicas que seriam também, de forma oficiosa, um referendo sobre a independência.

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