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Esquerda esteve unida a exigir a nomeação de António Costa

Cavaco Silva passou esta sexta-feira a ouvir os sete partidos com representação parlamentar. No final, as contas são claras: os quatro partidos da esquerda consideram que o Presidente deve nomear António Costa. O PAN também o defendeu.

Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 20 de Novembro de 2015 às 19:31
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Os partidos que estiveram em sucessivas audiências em Belém não podiam ter sido mais claros: quase todos defenderam que Cavaco Silva deve indigitar António Costa como primeiro-ministro, para que este forme depois um Governo apoiado pelos partidos à sua esquerda. O líder do PS garantiu, de resto, que tem essa alternativa, que garante "estabilidade e governabilidade". São razões suficientes para não se perder mais tempo e avançar com um Governo socialista, resumiu Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda.

 

António Costa, o segundo a ser ouvido esta sexta-feira, garantiu a Cavaco Silva que os acordos que firmou com Bloco de Esquerda, PCP e Verdes "garantem a existência de um governo do PS com apoio maioritário na Assembleia da República, com condições para governar". "Esta é a solução necessária para aquilo que se impõe: poupar ao país uma situação de incerteza, que o colocaria numa situação de crise desnecessária e o impediria de responder à necessidade dos cidadãos de uma solução rápida", defendeu.

 

Catarina Martins, que reuniu com o Presidente logo depois, concordou com Costa. "O Bloco de Esquerda acha que esta situação não é justificável e António Costa deve ser indigitado o mais rápido possível", sublinhou a porta-voz aos jornalistas. "Cabendo ao Presidente da República dar posse ao primeiro-ministro, achamos que não se deve perder mais tempo. O país não pode continuar numa situação de ingovernabilidade", defendeu.

 

Pelo PCP, Jerónimo de Sousa também defendeu a indigitação do secretário-geral do PS. O comunista disse existir a "necessidade de um Governo do PS tomar posse, apresentar o seu programa e entrar em funções na perspectiva de uma solução duradoura, uma perspectiva de legislatura". "Existem condições" para que o PS "avance e forme Governo", atestou. O habitual parceiro de coligação do PCP, o Partido Ecologista "Os Verdes", disse mesmo, através de Heloísa Apolónia, que "não há nenhuma outra solução que garanta mais estabilidade" que a indigitação de Costa.

 

Até o PAN apoiou a escolha de Costa, por entender que essa "a melhor opção a tomar para que exista estabilidade".

 

CDS desconfia dos acordos à esquerda

 

Os partidos à direita adoptaram um posicionamento distinto, como seria de esperar. O PSD, através de Passos Coelho, o primeiro a reunir-se esta manhã com Cavaco Silva, defendeu que houvesse novas eleições. Mas, como tal está vedado e o ainda primeiro-ministro torce o nariz a manter-se em gestão, só resta uma solução: "o PS tem a obrigação política e moral de apresentar ao país e ao Presidente da República uma solução de governo que, como o dr. António Costa afirmou previamente, deveria ser uma solução credível, consistente, estável e duradoura".

 

Sucede que essa solução não convence nem PSD nem CDS. "O PS não apresentou um projecto sólido. Basta consultar os documentos para concluir que não há coligação, não há acordo. São três documentos diferentes, não há sequer uma assinatura conjunta. Não anuncia nada de bom", resumiu Paulo Portas, presidente do CDS.

 

Cavaco Silva concluiu a ronda de audições após ter reunido com 30 personalidades diferentes. Resta saber se ainda vai ouvir mais alguém, se opta por convocar o Conselho de Estado ou se prefere anunciar a sua decisão ao país sem mais encontros. A Presidência ainda não divulgou os próximos passos de Cavaco Silva.

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