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Soalheiro de Melgaço “sai do conforto” do Alvarinho

Pioneiro na criação de uma marca de alvarinho em Melgaço, o histórico produtor acaba de lançar o primeiro vinho de uma casta diferente e de fora da sub-região minhota. Exportação compensa quebras no mercado interno.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 19 de Junho de 2021 às 17:00
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Chama-se Soalheiro Germinar Loureiro 2020, chega ao mercado com 10 mil garrafas e "representa um novo começo no percurso de inovação" desta histórica sociedade de vinhos de Melgaço, que se dedica há mais de quatro décadas à produção de vinhos alvarinho.

 

Apresentado como o seu primeiro loureiro de "influência atlântica" no vale do rio Minho – com origem no sopé poente do Monte do Faro, em Valença, mesmo à entrada da sub-região de Monção e Melgaço –, este novo produto é feito à base desta casta que até agora era apenas utilizada no lote com o alvarinho num dos vinhos mais conhecidos da empresa: o Soalheiro Allo.

 

"Queremos inovar e sair da nossa zona de conforto que é o alvarinho, e valorizar um novo território para o loureiro", assume ao Negócios o gestor da Quinta de Soalheiro, Luís Cerdeira, que para este projeto escolheu uma vinha com mais de 30 anos, localizada numa pequena parcela que produz uvas em pouca quantidade, mas com "características muito interessantes" ao nível dos aromas, da acidez e da concentração de sabores minerais.

 

Queremos inovar e sair da nossa zona de conforto que é o alvarinho, e valorizar um novo território para o loureiro. Luís Cerdeira, gestor e enólogo da Quinta de Soalheiro

 

Por outro lado, surge como uma evolução do projeto social Germinar, promovido com um dos membros do Clube de Produtores do Soalheiro, que é formado por mais de 150 famílias de viticultores e cuida de cerca de 100 hectares de vinha, "com vista à integração de pessoas com dificuldades cognitivas no trabalho da vinha". Assistente social de formação e viticultor de profissão, António Matos é o fornecedor das uvas para este vinho.

 

Luís, Maria Palmira e Maria João Cerdeira são os atuais acionistas da Quinta de Soalheiro.
Luís, Maria Palmira e Maria João Cerdeira são os atuais acionistas da Quinta de Soalheiro. DR

 

A história da Quinta de Soalheiro começou a ser contada em 1974, quando a paixão pela viticultura levou João António Cerdeira, com o apoio do pai, António Esteves Ferreira, a plantar a primeira vinha e a criar em 1982 a primeira marca de alvarinho em Melgaço. Hoje, com 36 colaboradores diretos, são os dois filhos do fundador (Luís e Maria João), juntamente com a mãe, Maria Palmira, a "dar continuidade a esse sonho".

 

Obras na adega e vendas digitais

 

Somando cerca de 14 hectares de vinha própria, toda ela certificada em produção biológica desde 2006, o Soalheiro produz 700 mil garrafas de vinho por ano, exportando para mais de 40 países espalhados pelo mundo. No ano passado, as vendas para o estrangeiro representaram metade do volume de negócios total, que se manteve estável a rondar os 4,3 milhões de euros.

 

"Com o natural impacto do contexto pandémico, nomeadamente no setor HORECA [restauração e hotelaria] em Portugal, sentimos uma quebra no mercado nacional, que foi colmatada com o aumento de 20% na exportação. (..) Encontramos novas formas de interagir com os distribuidores e clientes, mais diretas, 100% digitais e, com isso, reforçar as parcerias e a presença nos mercados", resumiu Luís Cerdeira, enólogo e gestor.

 

20%Exportação
As vendas do Soalheiro no exterior subiram 20% em 2020, equilibrando as perdas com a redução da atividade nos restaurantes, bares e hotéis portugueses.

 

O gestor e enólogo da empresa agrícola sublinha ainda que no ano da pandemia recrutou mais nove pessoas e investiu um milhão de euros no aumento e na modernização da adega, que agora tem também uma nova cobertura vegetal que permite reduzir anualmente o consumo energético em 26%.

 

Ainda em matéria de sustentabilidade, além das novas garrafas que reduzem em 19% a quantidade de vidro [ver caixa], o Soalheiro avançou com uma parceria com a Tintex, uma indústria têxtil localizada em Vila Nova de Cerveira, para desenvolver um tecido inovador alternativo ao couro, feito com resíduos de uva provenientes da vindima.

Novas garrafas cortam no vidro Outra grande novidade deste ano é a renovação da linha de garrafas do Soalheiro, que contam agora com um formato que implica menos 19% de vidro, o que permite reduzir as emissões de carbono utilizadas na produção e no transporte. "E porque a produção passou a ser feita em Portugal, há também uma importante redução de quase 8,5 vezes no impacto no transporte das garrafas até à adega, que antes provinham do centro da Europa", acrescenta Luís Cerdeira. Até ao final de 2021, o gestor estima que cerca de 90% das garrafas Soalheiro vão adotar este novo formato, viabilizando assim uma poupança estimada em 56 toneladas de vidro por ano.
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