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Redução de salários na Continental Mabor: “Não temos encomendas que chegue”

A produtora alemã de pneus de Famalicão, que mantém suspensa a laboração ao fim de semana, está a negociar “uma nova organização destes turnos” com a Comissão de Trabalhadores, que acusa a empresa de querer reduzir em 38,5% os salários de 675 dos seus 2.300 funcionários.

Paulo Duarte/Negócios
Rui Neves ruineves@negocios.pt 08 de Junho de 2020 às 22:52
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Mais de 150 trabalhadores da Continental Mabor concentraram-se esta segunda-feira, 8 de junho, à porta das instalações da fábrica, em Lousado, Famalicão, em protesto contra a alegada intenção da empresa em reduzir em 38,5% os salários dos 675 trabalhadores afetos aos turnos de fim de semana.

 

"Não se trabalha ao sábado nem ao domingo, pois não temos encomendas que chegue para este turno trabalhar como estava", pelo que a empresa está "a negociar com a Comissão de Trabalhadores uma nova organização destes turnos", explicou fonte oficial da Continental Mabor ao Negócios, alegando que "este processo não está fechado".

 

De resto, "como é habitual, a Comissão de Trabalhadores faz as reuniões com os trabalhadores e depois volta-se à mesa das negociações", lembrou a responsável da empresa, adiantando que estas reuniões deverão prosseguir esta terça-feira.

 

Como se trata de "um processo regular na empresa", a administração da fábrica portuguesa da produtora alemã de pneus mostrou-se surpreendida com a concentração de trabalhadores junto à porta das instalações da fábrica.

 

"Inesperadamente apareceram hoje alguns colaboradores do lado de fora da portaria. Não entendemos", rematou a mesma fonte oficial da Continental Mabor, sem qualquer referência à alegada proposta de redução salarial.

 

Esta fábrica esteve fechada mais de três semanas, entre 22 de março e 13 de abril, tendo reaberto a 14 de abril.

                             

Um regresso ao trabalho bastante condicionado pela evolução da covid-19, pelo que a Continental Mabor decidiu implementar a laboração em regime de rotação de equipas, tendo dividido o pessoal afecto à área de produção por três turnos diários, com a primeira equipa a trabalhar 15 dias, enquanto a outra está em casa, mantendo-se suspensa a laboração ao fim de semana.

  

Para assegurar os pagamentos no tempo em que os trabalhadores iriam ficar em casa, a empresa anunciou, aquando do fecho temporário da fábrica, que iria acionar "os créditos de férias de anos anteriores, débitos de horas extraordinárias existentes, majoração de férias do ano em curso e férias do ano em curso – preferencialmente as programadas para o final do ano (Natal e Ano Novo) -, por essa ordem, e dependendo do tempo em que a empresa estará parada", para assegurar os pagamentos no tempo em que ficam em casa.

 

Além da Continental Mabor, o grupo alemão detém outras empresas em Portugal, como a Continental Pneus, Continental Indústria Têxtil do Ave, Continental Lemmerz ou a Continental Teves, constituindo um grupo que, no nosso país, fatura mais de 1,2 mil milhões de euros e emprega cerca de 3.400 pessoas.

Deste grupo de empresas faz ainda parte a unidade industrial de Palmela da Continental, que anunciou, no dia 17 de março passado, que irá encerrar de vez até ao final do próximo ano, o que irá implicar a dispensa dos seus atuais 370 trabalhadores.

 

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