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"É óbvio que a TAP não tem condições para pagar dívida em seis meses"

Bruxelas autorizou Portugal a conceder à um empréstimo estatal no valor máximo de 1,2 mil milhões de euros, com uma maturidade de seis meses. O presidente da companhia aérea não considera este prazo viável.

Rafaela Burd Relvas rafaelarelvas@negocios.pt 23 de Junho de 2020 às 13:19
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Portugal tem luz verde para conceder um empréstimo estatal de até 1.200 milhões de euros à TAP, em crise financeira devido à pandemia. As condições impostas pela Comissão Europeia determinam, contudo, que este empréstimo tem de ser devolvido em seis meses; caso contrário, a TAP é obrigada a apresentar um plano de reestruturação. Este prazo, garante o presidente executivo da companhia aérea, não é viável, pelo que a empresa terá mesmo de avançar com esse plano, que, por sua vez, terá de ser negociado com Bruxelas.

"A Comissão Europeia quer que a maturidade do empréstimo seja de seis meses. É óbvio que não temos condição de pagar a dívida em seis meses. Nenhuma companhia do mundo tomou empréstimos para pagar em seis meses, estão a tomar empréstimos para pagar entre três e sete anos. É isso que propomos", afirmou Antonoaldo Neves, que está a ser ouvido esta terça-feira, 23 de junho, na Assembleia da República.

Assim, adiantou, a companhia aérea irá apresentar um plano de reestruturação que espera estar concluído dentro de 60 a 90 dias, para que a empresa tenha um período de cerca de três meses para negociar a aprovação desse plano com Bruxelas.

Essa negociação, tinha já afirmado o presidente executivo da TAP, não será fácil, até porque a Comissão Europeia será "extremamente dura" com Portugal. Mas ressalvou: "Não tenham dúvidas de que esta comissão executiva vai disputar até ao final e não vai aceitar que a Comissão Europeia decida de forma unilateral. Não aceito, por razão nenhuma, que a TAP seja discriminada em relação a outras companhias aéreas".

Em causa está um empréstimo estatal que poderá ter um valor máximo de 1.200 milhões de euros, que já conta com a autorização da Comissão Europeia para ser concedido à TAP. Este apoio assume a forma de um empréstimo de emergência e Bruxelas impôs que fosse reembolsado em seis meses, ou, em contrapartida, que fosse apresentado um plano de reestruturação.

O próprio Governo, pela voz do secretário de Estado do Tesouro, já tinha admitido que seria pouco viável que a TAP conseguisse pagar o empréstimo nesse prazo. O plano de reestruturação que se segue deverá, assim, implicar uma capitalização da companhia aérea, na qual o ministro Pedro Nuno Santos espera que os acionistas privados participem.
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