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Confiança no turismo cai pela primeira vez em três anos

Os operadores turísticos pareceram ressentir-se da instabilidade política no último trimestre. Quase um terço antecipa "bastante impacto" nos resultados do sector em 2016.

Miguel Baltazar/Negócios
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 19 de Janeiro de 2016 às 16:50
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O índice de confiança médio no desempenho do sector do turismo caiu pela primeira vez desde Novembro de 2012. Segundo os resultados disponibilizados esta terça-feira, 19 de Janeiro, pelo Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT), no último trimestre de 2015 houve uma quebra de 2,9 pontos face ao registo de Setembro, situando-se agora em 77,8 pontos.

O decréscimo medido na última edição do Barómetro do Turismo coincidiu com um período conturbado do ponto de vista político, marcado pela realização de eleições legislativas no início de Outubro, a indigitação, formação e derrube do governo de direita na Assembleia da República e a posterior nomeação e aprovação do Executivo liderado pelo PS, com o suporte parlamentar da esquerda.

Apesar desta inversão no sentimento de confiança, quando questionados directamente sobre o possível impacto da instabilidade política no sector em 2016, 70% dos operadores responderam que teria "pouca ou nenhuma influência" no desempenho do turismo. A pergunta foi feita antes da formação do actual Governo e quase 27% anteciparam, pelo contrário, que a volatilidade política terá "bastante impacto" nos resultados do sector durante este ano.

Os dados mais recentes do INE, relativos a Novembro, mostraram que a actividade turística manteve nesse mês uma trajectória de crescimento: os estabelecimentos hoteleiros registaram 2,5 milhões de dormidas, um aumento homólogo de 8,4%, e o número de hóspedes também cresceu, embora a um ritmo menor do que no mês anterior.

Incentivos financeiros e fiscais motivam em 2016

O novo ministro dos Negócios Estrangeiros, que tutela a diplomacia económica, defendeu há uma semana que se deve "continuar a investir fortemente no turismo, que é um dos sectores com mais progressão". "Mas não podemos tornar-nos turismo-dependentes. Temos de diversificar", acrescentou Augusto Santos Silva na abertura da 20.ª edição do Inov Contacto, um programa de estágios internacionais promovido pela AICEP.

Nesta 49.ª edição do Barómetro do Turismo do IPDT, 61% dos inquiridos apontaram que, em relação ao investimento realizado em promoção interna, o desempenho do turismo nacional em 2015 correspondeu às expectativas. Face ao investimento em promoção externa, o desempenho ficou dentro (54%) ou acima (37%) das expectativas.

Sobre as perspectivas para 2016, 68% dos agentes do sector esperam que o turismo nacional tenha melhores resultados globais do que em 2015, enquanto 26% dos inquiridos neste painel com 174 membros apontam para um desempenho idêntico ao registado no ano passado.

No início de Janeiro, a secretária de Estado do Turismo anunciou que ainda no primeiro trimestre vai ser lançado um pacote de instrumentos financeiros para responder às necessidades de financiamento e capitalização das empresas turísticas, antecipando na mesma altura ajustes na lei de alojamento local durante este ano.

Outra boa notícia para o sector será a reposição do IVA na restauração para 13%, que deverá ser inscrito na proposta de Orçamento do Estado que está a ser ultimada no Ministério das Finanças. Segundo um inquérito recente da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), mais de dois terços dos hotéis e restaurantes portugueses estão disponíveis para contratar mais trabalhadores após a aprovação dessa medida.

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