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Archegos: Como o Goldman Sachs e o Morgan Stanley evitaram prejuízos de milhares de milhões

O colapso do Archegos deverá ter resultados em perdas acima de dois mil milhões de dólares para o Nomura e o Credit Suisse. A rapidez na venda de ações por parte do Goldman e do Morgan Stanley evitou-lhes prejuízos semelhantes.

Reuters
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 30 de Março de 2021 às 11:55
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A liquidação do Archegos Capital Management está a provocar um verdadeiro tumulto em Wall Street. Ainda que as perdas provocadas pelo colapso do "family office" de Bill Hwang estejam por calcular, a rapidez parece ter poupado ao Goldman Sachs e ao Morgan Stanley prejuízos de milhares de milhões de dólares, ao contrário do que aconteceu com o Nomura e o Credit Suisse.

 

O fenómeno sem precedentes de vendas de grandes blocos de ações em Wall Street surpreendeu os investidores, mas pode ter sido a chave para o Goldman Sachs e o Morgan Stanley terem evitado perdas massivas, ao contrário de outros grandes bancos. A rapidez na colocação de ações no valor de 20 mil milhões de dólares pelos dois bancos, após o Archegos ter falhado no reforço dos colaterais (margens) associados às suas posições evitou o pior cenário, com as entidades a preverem o que poderia resultar caso não o fizessem.

 

Além do Goldman Sachs e do Morgan Stanley, o Archegos Capital Management trabalhava ainda com o Nomura e o Credit Suisse – as duas entidades que reconheceram que poderão ter prejuízos acima de dois mil milhões de dólares com a exposição ao "family office" - , o UBS e o Deutsche Bank. Grandes instituições bancárias mundiais que permitiram ao Archegos assumir posições alavancadas no valor de milhares de milhões de dólares ao longo dos últimos anos.

 

Os problemas começaram a tornar-se evidentes na quinta-feira da semana passada, quando o Archegos pediu aos bancos com quem trabalhava que não despejassem as suas participações no mercado, depois de uma evolução desfavorável das ações, compradas através de instrumentos do mercado de derivados altamente alavancados, que levou os títulos a atingir níveis em que o Archegos foi chamado a reforçar as margens associadas a estas posições. Perante a incapacidade de o fazer, o fundo de Bill Hwang apelou aos bancos e pediu-lhes que negociassem durante o fim de semana. Mas a resposta não foi consensual.

 

O Goldman Sachs foi o primeiro a começar a despejar grandes blocos de ações no mercado logo na sexta-feira, seguido pelo Morgan. Uma decisão que "poupou" os dois bancos e deixou os outros que não agiram com a mesma rapidez com um problema em mãos.

 

Segundo fontes citadas pelo MarketWatch, o Goldman Sachs espera perdas "imateriais" associadas ao caso Archegos nos seus resultados do primeiro trimestre.

 

Já o Morgan Stanley continua a despejar ações no mercado. No domingo à noite vendeu mais 45 milhões de títulos da ViacomCBS, colocando as ações junto de clientes e respondendo aos pedidos de grandes investidores, que se mostraram interessados nos títulos após a forte desvalorização registada nos últimos dias.

 

Mas não é apenas o Morgan que continua a vender ações das empresas às quais o Archegos mantinha grandes exposições. Cotadas como a Discovery Inc., a GSX Techedu, ou a Plataforma de comércio eletrónico chinesa Vipshop Holding e ViacomCBS voltaram a ser alvo de vendas em bloco esta segunda-feira, com os bancos a procurarem limpar a exposição ao "family office".

 

Segundo o MarketWatch, o Wells Fargo vender ontem blocos de ações da ViacomCBS e da GSX, informando os seus clientes que limpou a exposição ao Archegos.

 

Já o Credit Suisse e o Nomura não exerceram vendas de grandes blocos na sexta-feira, ao contrário dos seus concorrentes norte-americanos, sendo ambos os principais bancos apanhados no colapso do Archegos.

 

O Nomura admitiu que está a avaliar em cerca de dois mil milhões de dólares as perdas associadas a um cliente. O Credit Suisse não quantificou o valor dos prejuízos, mas fontes próximas da instituição disseram ao Financial Times que as perdas poderiam oscilar entre três e quatro mil milhões de dólares.

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