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Variante delta afunda bolsas e juros da dívida nos EUA

As bolsas do outro lado do Atlântico encerraram em queda, pressionadas pelo aumento de casos com a variante delta da covid-19, que deixa recear que o crescimento económico global descarrile.

Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 19 de Julho de 2021 às 21:24
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O índice industrial Dow Jones fechou a cair 2,09%, para se fixar nos 33.962,04 pontos. Já está assim longe do seu recorde de 35.092 pontos marcado na sessão do passado dia 10 de maio.

 

Já o Standard & Poor’s 500 recuou 1,59%, para 4.258,49 pontos. Isto depois de na quarta-feira da semana passada ter estabelecido um novo máximo histórico, nos 4.393,68 pontos.

 

Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite desvalorizou 1,06% para 14.274,98 pontos. Na negociação intradiária de dia 14 chegou a fixar o valor mais alto de sempre, nos 14.814,69 pontos.

 

Os receios em torno da variante delta da covid-19, que poderá fazer descarrilar a recuperação económica mundial, estão a fazer com que os investidores fujam de ativos considerados de risco, como é o caso das ações – e apostem em valores-refúgio como as obrigações.

 

Hoje, nos Estados Unidos, os juros das obrigações do Tesouro a 10 anos negociaram no mais baixo nível dos últimos cinco meses, abaixo de 1,20%.

 

Esta queda dos juros da dívida, decorrente da maior aposta nas obrigações, penalizou em bolsa as cotadas do setor financeiro, como a banca e seguros, que em inícios deste ano beneficiaram da subida das "yields.

 

A queda de 900 pontos do Dow

 

Os intervenientes de mercado mostram-se cada vez mais avessos ao risco e o Dow Jones chegou a estar a afundar 900 pontos durante a sessão. No fecho, perdeu 725,81 pontos (2.09%).

 

Este foi, assim, o pior dia para o Dow desde a queda de 943 pontos em finais de outubro. Aquele que é considerado o barómetro para o mercado das "blue chips" teve várias outras quedas de relevo desde o início de 2020 devido aos receios em torno da pandemia.

 

O Dow afundou mais de 1.000 pontos por seis vezes no ano passado, com cinco dessas vezes a ocorrerem em março, com a entrada da covid nos EUA. A sua maior queda de sempre em pontos aconteceu a 16 de março de 2020, quando mergulhou quase 3.000 pontos (13%).

 

O termo "blue chips", recorde-se, foi criado em 1923 por um funcionário da Dow Jones, Oliver Gingold. Ele cunhou o termo inspirado na ficha (chip) de póquer mais valiosa, a azul, para se referir a ações com preço elevado. Atualmente, o termo blue chip já não se refere às ações mais caras mas sim a ações de empresas de relevo que passaram no teste do tempo.

 

Aviação, hotelaria, energia no vermelho

 

As cotadas da aviação, hotelaria e outros segmentos que serão mais afetados por eventuais novas restrições decorrentes da covid-19 estiveram entre as maiores perdas da sessão de hoje, à semelhança do que sucedeu nos primeiros tempos da pandemia.

 

A American Airlines, United e Delta cairam mais de 4%. As operadoras de cruzeiros Carnival, Royal Caribbean e Norwegian afundaram entre 4% e 6%.

 

Também as cotadas da energia negociaram em baixa, à conta da forte queda dos preços do petróleo depois de ontem os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (o chamado grupo OPEP+) terem chegado a acordo relativamente aos seus volumes de produção a partir de agosto, o que trará mais matéria-prima para o mercado.

 

Apesar de o mercado estar atualmente apertado (com a oferta a não acompanhar o ritmo de crescimento da procura), o facto de entrar mais "ouro negro" numa altura em que o aumento de infeções com covid-19 está a levar a novas restrições é algo que deixa os investidores cautelosos.

 

A Chevron e a Exxon Mobil recuaram mais de 8%.

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