Tarifas de Trump voltam a dar força aos metais preciosos. Ouro próximo dos 5.100 dólares
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta terça-feira.
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Dólar ignora novas ameaças tarifárias e ensaia recuperação
O dólar está a recuperar algum do terreno perdido nas últimas sessões, embora continue sob o olhar atentos dos investidores, numa altura em que as políticas adotadas pela Casa Branca têm pressionado a "nota verde". Mesmo assim, a divisa norte-americana parece estar a sair ilesa da nova ameaça de Donald Trump à Coreia do Sul, que pressupõe o aumento de tarifas de 15% para 25%.
A esta hora, o euro recua 0,15% para 1,1862 dólares, enquanto a libra cede 0,06% para 1,3673 dólares. Já a "nota verde" ganha 0,34% para 154,70 ienes, depois de ter atingido mínimos de dois meses contra a moeda nipónica, ao recuar quase 3% nas duas últimas sessões.
O iene foi impulsionado por rumores de uma possível intervenção conjunta das autoridades japonesas e norte-americanas para dar apoio a uma divisa que tem enfrentado grandes fatores de pressão, como é o caso da política expansionista da atual primeira-ministra do país, Sanae Takaichi. Os seus planos de grandes gastos orçamentais já levaram mesmo a um "sell-off" no mercado de dívida, com a "yield" a longo prazo a ultrapassar pela primeira vez em décadas os 4% na semana passada.
A valorização do dólar face ao iene este ano contrasta com o desempenho da "nota verde" contra as restantes principais rivais. A guerra diplomática entre os EUA e Europa, motivada pela pretensão de Donald Trump anexar a Gronelândia, levou vários investidores a afastarem-se do dólar e a apostar noutras moedas, como é o caso do euro e do franco suíço - um dos ativos de refúgio de excelência do mercado.
O dólar enfrenta agora um novo teste com a reunião da Reserva Federal (Fed) norte-americana que começa esta terça-feira e dura até quarta. É esperado que o banco central mantenha as taxas de juro inalteradas - um corte só deve vir a meio do ano -, mas os investidores vão estar bastante atentos às palavras de Jerome Powell, Presidente da Fed, após a decisão de política monetária, numa altura em que a independência da entidade tem vindo a ser ameaçada pela atual administração dos EUA.
Tarifas de Trump voltam a dar força aos metais preciosos. Ouro perto de máximos
O ouro está a conseguir aguentar-se acima da marca dos 5 mil dólares e está mesmo a negociar bastante próximo dos máximos históricos que atingiu na segunda-feira, dia em que ultrapassou o nível dos 5.100 dólares por onça. Apesar de o cenário global estar, agora, muito menos tenso do que na semana passada e com os investidores a mostrarem-se mais expostos ao risco, as novas ameaças tarifárias de Donald Trump, Presidente dos EUA, estão a dar força aos ativos de refúgio.
A esta hora, o metal amarelo avança 1,72% para 5.095,09 dólares por onça, depois de ter tocado, pela primeira vez, nos 5.111,21 dólares na sessão anterior. Por sua vez, a prata acelera 8,24% para 112,34 dólares por onça, tendo também conseguiu alcançar um novo máximo histórico na segunda-feira, quando chegou aos 117,71 dólares. A platina e o paládio também negoceiam em alta.
Estes movimentos estão a ser apoiados no mais recente anúncio da administração norte-americana, que quer impor tarifas de 25% aos produtos vindos da Coreia do Sul. Donald Trump acusa os legisladores do país de falharem em retificar o acordo alcançado entre as duas partes no ano passado. “Porque a legislatura coreana não implementou o nosso acordo histórico, que é a sua prerrogativa, estou a aumentar as tarifas sul-coreanas sobre automóveis, madeira, fármacos e todas as restantes tarifas recíprocas de 15% para 25%”, escreveu o Presidente dos EUA nas redes sociais.
O ouro já ganhou mais de 17% só em 2026, isto depois de já ter registado o melhor desempenho desde 1979 no ano passado. Os investidores estão cada vez mais a apostar no metal amarelo, em detrimento de outros ativos de refúgio como é o caso do dólar e das obrigações norte-americanas (estratégia conhecida como "debasement"), numa altura em que a política errática de Donald Trump revive preocupações de que podemos estar a assistir novamente a um movimento "Sell America".
Com o isolacionismo norte-americano a crescer, muitos investidores estão a aproveitar para reduzir a sua exposição ao mercado norte-americano e a mudar para o ouro, explica o diretor de investimentos da Amundi, Vincent Mortier. "A longo prazo, o ouro é uma excelente proteção contra o "debasement" e uma boa forma de manter algum poder de compra", acrescenta, numa entrevista à Bloomberg.
Petróleo em queda apesar de disrupções em refinarias dos EUA
O barril de petróleo está a negociar em território negativo, pressionado pelas perspetivas de um grande excedente no mercado para este ano, embora a queda nos preços esteja a ser limitada pelas disrupções na produção norte-americana e o aumento dos gastos energéticos para fazer face a um inverno rigoroso naquela que é a maior economia do mundo.
A esta hora, o preço do Brent, o índice de referência para a Europa, cai 0,40% para 60,39 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), a referência americana, negoceia nos 65,25 dólares, uma descida de 0,52%. Estes movimentos acontecem numa altura em que o maior produtor de crude do Cazaquistão prepara-se para retomar as operações do seu maior campo petrolífero, que tinha ficado inoperacional devido a um incêndio, e a Chevron Corp. está a trabalhar para aumentar a produção da matéria-prima exponencialmente na Venezuela.
Nos EUA, as temperaturas muito baixas estão a causar disrupções na extração de crude em várias refinarias ao largo do Golfo do México, embora os analistas admitam que o impacto possa não vir a ser prolongado. "As tempestades de inverno normalmente tendem a afetar o petróleo através de perturbações logísticas e de refinação a curto prazo, em vez de afetar a procura subjacente", explica Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital LP, à Bloomberg. "A menos que os 'stocks' já estejam esgotados, o impacto geralmente desaparece assim que as operações voltam ao normal", esclarece ainda.
Os preços do petróleo têm vindo a ganhar bastante terreno desde o arranque do ano, depois de um ano negativo para a matéria-prima, impulsionados por uma escalada nas tensões geopolíticas e disrupções na produção de um dos maiores produtores do mundo, o Cazaquistão. O país faz parte da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que vai reunir-se no próximo fim de semana para discutir níveis de produção - que devem ficar intactos, após a reversão de vários cortes no ano passado.
Ásia em máximos e Europa no verde com época de resultados a centrar atenções
As principais praças asiáticas conseguiram reverter as perdas de segunda-feira e avançar para um novo recorde, numa altura em que os investidores estão a desviar as atenções das tensões geopolíticas e de uma possível intervenção no iene para uma semana repleta de resultados das grandes empresas norte-americanas. Só na quarta-feira, a Microsoft, Meta e Tesla vão apresentar contas ao mercado depois do fecho de sessão, com a Apple a marcar a agenda na quinta-feira.
O MSCI AC Asia Pacific Index saltou quase 1% e atingiu um novo máximo histórico. Os ganhos devem chegar também à Europa, com os futuros do Euro Stoxx 50 a avançarem 0,4%, isto depois de Wall Street já ter encerrado em alta na segunda-feira. Estes movimentos seguem-se a uma sessão marcada por alguma volatilidade, com a especulação em torno de uma possível intervenção no iene por parte das autoridades japonesas e norte-americanas a pressionar as praças asiáticas.
"Neste momento, tudo parece bem encaminhado [para as ações mundiais], mas isso não significa que não podem aparecer problemas de vez em quando", explicou David Solomon, CEO do Goldman Sachs, numa entrevista à Bloomberg TV. "Economicamente, as coisas estão bem encaminhadas", acrescentou, citando políticas de estímulo orçamental e grandes investimento em inteligência artificial (IA).
Entre as principais praças, o sul-coreano Kospi conseguiu terminar a sessão no verde com ganhos de 2,7%, apesar de até ter arrancado em território negativo. O índice foi inicialmente pressionado pelo anúncio de Donald Trump, Presidente dos EUA, que quer impor tarifas de 25% aos produtos oriundos da nação asiática, acusando os legisladores sul-coreanos de falhar em ratificar o acordo comercial que os dois países assinaram no ano passado.
No entanto, o impacto parece ter sido de curto prazo. Apesar de os metais preciosos terem visto um impulso com o anúncio, não só o principal índice coreano conseguiu afastar receios de uma guerra comercial, como também os chineses Hang Seng e Shanghai Composite e os japoneses Nikkei 225 e Topix. Enquanto os dois primeiros terminaram a sessão com ganhos de 1,3% e 0,18%, os dois últimos aceleraram 0,85% e 0,31% - afastando a turbulência do dia anterior motivada por uma possível intervenção no iene.
Pela Índia, que assinou esta segunda-feira um acordo comercial histórico com a União Europeia (UE), o Nifty 50 conseguiu inverter o sentido de negociação e está agora a acelerar 0,15%. O primeiro-ministro do país, Narendra Modi, acredita que esta nova aliança "vai fortalecer a confiança dos investidores e dos negócios na Índia".
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