Obrigações Açores pagam pouco mais de 1% na primeira emissão a 10 anos

Açores pagam pouco mais de 1% na primeira emissão a 10 anos

Os Açores estão hoje no mercado para colocar até 223,5 milhões de euros, naquela que é a primeira emissão de dívida a 10 anos por parte da região autónoma. O prémio face à dívida portuguesa está em 50 pontos base.
Açores pagam pouco mais de 1% na primeira emissão a 10 anos
Vasco Cordeiro é o presidente do Governo Regional dos Açores
EPA
Nuno Carregueiro 15 de julho de 2019 às 11:18

A Região Autónoma dos Açores está esta segunda-feira no mercado de dívida a emitir 223,5 milhões de euros em obrigações a 10 anos, sendo que o juro final deverá ficar pouco acima de 1%.

 

De acordo com a Bloomberg, o preço inicial oferecido aos investidores (IPT – initial price talks) foi fixado nos 50 pontos base acima do benchmark, que neste caso é a linha de obrigações do Tesouro com maturidade em junho de 2029. O preço final da emissão só deverá ser fixado na terça-feira, 16 de julho.

 

Como a "yield" da dívida portuguesa a 10 anos está hoje nos 0,609%, os Açores deverão pagar uma taxa de juro em redor de 1,1% nesta que é a primeira emissão de sempre de dívida a 10 anos por parte da Região Autónoma dos Açores. 

 

Os títulos que os Açores vão emitir têm maturidade em 23 julho de 2029, um cupão anual, e serão cotados em Lisboa.

 

A Bloomberg tinha noticiado a 4 de julho que os Açores tinham contratado duas instituições financeiras (o Beka Finance e o Credit Agricole CIB ) para lançar esta emissão de 223,5 milhões de euros em obrigações a 10 anos.

Segundo a agência de notícias norte-americana, os Açores têm 247 milhões de euros em obrigações no mercado, sendo que o encaixe com esta emissão servirá para refinanciar dívida já existente e financiar alguns projetos de investimento.

 
Rating pode tornar resultado "ainda mais positivo"

A Região Autónoma dos Açores conta com uma notação financeira de Ba1, por parte da Moody’s, o que coloca o rating no patamar de "lixo". Já a Fitch tem uma nota de BBB-, um degrau acima do nível de investimento especulativo. Também a DBRS, na semana passada, atribuiu aos Açores uma classificação acima de "lixo".

 

A Fitch refere que o rating dos Açores tem por base a previsão de que o produto interno bruto (PIB) da região cresça cerca de 2,8% ao ano, "levando a um crescimento semelhante das receitas operacionais". Já a despesa operacional deverá aumentar entre 2,5% e 2,6%, segundo a Fitch.

Num comentário ao facto de a DBRS e a Fitch terem classificado a dívida dos Açores num nível acima de "lixo", o vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Sérgio Ávila, assinalou que a "avaliação que os mercados financeiros internacionais fazem dos Açores, reforça ainda mais a capacidade da Região de passar a emitir nos mercados internacionais".

"Temos neste momento, conforme é do conhecimento público, a ocorrer uma primeira emissão obrigacionista a 10 anos nos mercados internacionais que, com esta classificação, poderá atrair ainda mais investidores e fazer com que o resultado desta operação seja ainda mais positivo do que aquele que já estamos a sentir nos mercados internacionais", frisou Sérgio Ávila no comunicado publicado no site do Governo Regional este sábado.

De acordo com os registos da Bloomberg, 2001 foi o último ano em que os Açores emitiram dívida no mercado internacional, colocando menos de 100 milhões de euros em títulos a 7 anos. 

Para o vice-presidente, os ratings da DBRS e da Fitch dão "um sinal claro da situação e do enquadramento das finanças públicas regionais", bem como "de garantia da solidez das finanças públicas" dos Açores, sublinhando que, neste momento, "os mercados financeiros internacionais têm da parte dessas agências um aconselhamento para investirem na Região".




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