A quarta edição do Prémio Nacional de Inovação, uma iniciativa do Jornal de Negócios, do BPI e da Claranet Portugal, arrancou no Porto sob a premissa de que a inovação deixou de ser apenas um tema associado à tecnologia ou a startups e passou a assumir um papel central na competitividade das economias e na capacidade de crescimento das empresas.
Na sessão de abertura da conferência de lançamento, que decorreu na Casa da Música, os intervenientes sublinharam precisamente essa evolução, destacando a necessidade de transformar talento, tecnologia e conhecimento em atividade económica com escala.
Diana Ramos, diretora do Jornal de Negócios, recordou a génese da iniciativa e o contexto em que surgiu, enfatizando o facto de o prémio ter vindo a ganhar dimensão e relevância no ecossistema empresarial português. Mais do que um momento de distinção de projetos inovadores, diz a diretora, tornou-se um espaço de reflexão. “Hoje o PNI já é mais do que um prémio. A iniciativa que montámos transformou-se num espaço de referência e de debate sobre a capacidade do país em transformar talento, tecnologia e criatividade em serviços com escala económica e com impacto.” Num mundo marcado por tensões geopolíticas e por uma crescente competição entre economias, Diana Ramos sublinhou que reforçar a base tecnológica e industrial das empresas se tornou também uma questão estratégica para a Europa. “Reforçar a competitividade e a capacidade industrial à boleia da inovação não é somente importante, como é também um imperativo de soberania”, afirmou.
Inovação além das startups
Também Afonso Eça, administrador do BPI, destacou a evolução que o tema da inovação tem registado na agenda económica e empresarial portuguesa, sublinhando que o sistema de inovação tem vindo a ganhar visibilidade enquanto motor de produtividade e crescimento económico. “Nos últimos anos vimos este sistema da inovação, como motor da produtividade e do crescimento económico, ganhar destaque no dia a dia e cada vez mais pessoas a discutirem sobre o tema.”
Para o responsável do BPI, a inovação é hoje um elemento essencial para o crescimento das economias e o conceito deve ser entendido de forma mais ampla, ultrapassando a associação automática às startups ou às tecnologias emergentes. “O sistema da inovação é um espaço muito maior do que esse”, afirmou. “A inovação é um espaço muito mais amplo e penso que o prémio tem dado um contributo essencial para ajudar a disseminar essa ideia na economia.”
Afonso Eça sublinhou também que o lançamento de cada edição do prémio representa apenas o início de um processo que depende da participação ativa das empresas. “Hoje é o dia mais fácil, é o dia em que fazemos o lançamento. A partir daqui começa o trabalho difícil.”
Esse trabalho passa por mobilizar empresas e organizações para apresentarem os seus projetos.
A força da colaboração
Na sessão de abertura, Alexandre Ruas, managing director da Claranet Portugal, destacou, por seu lado, o papel que a iniciativa tem desempenhado na dinamização do debate sobre inovação em Portugal. Quando o prémio foi lançado, recordou, existia uma dúvida sobre a capacidade de uma iniciativa baseada essencialmente no reconhecimento e na visibilidade de projetos conseguir mobilizar empresas e organizações.
“Questionámo-nos se, através da celebração, sem incentivos financeiros ou mais objetivos, conseguiríamos estimular e trazer para a mesa de debate o tema da inovação.”
A evolução do prémio ao longo das primeiras edições mostra que esse objetivo foi alcançado. “Podemos orgulhar-nos de dizer que tem sido um sucesso.”
O responsável sublinhou que o aumento do número de candidaturas e o envolvimento de diferentes organizações demonstram que o tema ganhou relevância dentro das empresas. “Às vezes trazer estes temas a debate já faz com que eles se tornem mais importantes ou ganhem maior relevância nas empresas.”