António Moita
António Moita 29 de julho de 2019 às 20:15

Não socialistas de Portugal. Uni-vos!

A direita é hoje em Portugal uma manta de retalhos. O líder do maior Partido tem horror à palavra “direita” e anda entretido com a palavra renovação que para ele é sinónimo de liquidação de todos os que se atreverem a contrariá-lo.

Anda a direita num frenesim desde que as sondagens e a intuição de cada um revelaram que a partir de outubro a presença no Parlamento poderá ser a menor de sempre. Os apelos à união são variados e em todos resulta evidente que a situação, política nuns casos, pessoal noutros, é desesperada. Mas sejamos honestos. Unir forças em torno de quê? De um projeto, de uma ideia, de um líder? Parece que não. Para já importa apenas derrotar a esquerda e deitar abaixo António Costa. O resto vê-se depois.

 

A direita é hoje em Portugal uma manta de retalhos. O líder do maior Partido tem horror à palavra "direita" e anda entretido com a palavra renovação que para ele é sinónimo de liquidação de todos os que se atreverem a contrariá-lo. A líder do segundo maior partido, depois do desaire das europeias, parece andar à procura da bússola e informou-nos que está a "preparar o futuro". O velho líder do novo partido dissidente do primeiro não consegue fazer passar uma ideia a não ser a de que ele próprio faz muita falta à política portuguesa. Temos também um projeto liberal com ideias diferentes, embora pouco simpáticas para o universo conservador, mas a quem não conhecemos o líder. Por fim temos os micropartidos antissistema que todos somados não dão para eleger um presidente de uma junta de freguesia de média dimensão. É isto que querem unir?

 

Em simultâneo surgem muitos movimentos inorgânicos, criados e compostos na sua maioria por gente que anda à procura de espaço nas organizações a que pertencem, que refletem, refletem, refletem e, depois de muito refletir, anunciam que é necessário refundar as bases intelectuais do espaço político a que pertencem. São movimentos facilmente identificáveis porque normalmente usam siglas de grande significado político como "X", "5.7", entre outras.

 

Estará porventura a chegar o tempo de todos aqueles, embora possa não parecer são muitos, que não se revêm num País ideologicamente amarrado a modelos igualitários do passado, a correntes que não respeitam a livre iniciativa, a capacidade de empreender e a liberdade de escolher caminhos, a formas de organização do Estado pesadas, dispendiosas e ineficientes que nos atrapalham a vida, nos limitam o crescimento e nos hipotecam o futuro, a sistemas de proteção social que se destroem por dentro e que não protegem quem deles necessita. Provavelmente serão estas algumas das marcas principais que servirão para explicar aos eleitores em que é que o "espaço não socialista" poderá ser diferente.

 

Talvez em 2020, terminado o período de convalescença consequência de uma tareia que não matou, mas que fez quebrar muitos ossos, seja tempo de limpar o terreno e de preparar a construção de um novo edifício, onde se entenda que é necessário mandar para o museu, com o respeito devido, as querelas do passado, as marcas que não têm futuro, os atores que não têm público, os guiões que ninguém quer ler. Um novo tempo de união feito de conhecimento, de experiência, de diferenças, de arrojo, de sensibilidade, de responsabilidade e de esperança. 

 

Jurista

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