Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 26 de abril de 2018 às 20:33

A classe "aspiracional"

A sociedade do século XXI é uma sociedade crescentemente imaterial, em que o mais importante, a riqueza e o que faz a diferença, não está nas coisas em si mesmo, mas nas relações, nas experiências, na comunicação, no movimento, nas possibilidades.

Ir a pé para o trabalho, um concerto, teatro ou cinema ao fim da tarde, uma aula de ioga pela manhã, um passeio ao ar livre, um almoço saudável, fins-de-semana no estrangeiro, etc. Estas acções têm em comum não apenas a qualidade de vida subjacente, escreve Elizabeth Currid-Halkett, na obra "The Sum of Small Things: A Theory of the Aspirational Class", mas também a ausência de um comportamento focado nas coisas, no ter isto e aquilo, no conforto mais óbvio.

 

Os bens materiais são hoje acessíveis a uma grande parte da população. Quem tem mais possibilidades económicas, diz Currid-Halkett, hoje já não quer mostrar, a si e aos outros, que assim é. Prefere aplicar os seus recursos e o seu tempo - o bem verdadeiramente escasso - em experiências enriquecedoras.

 

O inquérito estatal norte-americano sobre o rendimento das famílias mostra que entre 1996 e 2014 os gastos em bens materiais simbólicos, sejam carros topo de gama, grandes casas, etc., nos núcleos familiares mais desafogados economicamente são cada vez menores em termos relativos.

 

A autora sugere que está a emergir uma nova diferenciação: um tipo de vida centrado em gastos menos visíveis, como, por exemplo, a educação dos filhos, as viagens para conhecer o mundo, os cuidados com o corpo e a saúde, a boa alimentação, etc. - um novo capital cultural, característico de um estilo de vida crescentemente influente.

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