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Paulo Carmona 11 de Agosto de 2020 às 10:00

Um Estado faz-de-conta

Estas eleições pífias das CCDR, que ninguém percebe o objetivo além de gastar dinheiro que muita falta faz aos portugueses, são muito ao gosto do PS e do PSD, o bloco central de clientelas e caciquismos locais.

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A FRASE...

 

"Presidências das CCDR acertadas por António Costa e Rui Rio."

 

Público, 7 de agosto de 2020

 

A ANÁLISE...

 

Não se entende se Rui Rio é um génio ou um louco, para negociar com António Costa, "o espertalhão", que dizem ser o político mais bem preparado da sua geração. Percebe-se apenas que prefere as negociações de salão ao debate público e ao escrutínio das decisões. E claro que estas eleições pífias das CCDR, que ninguém percebe o objetivo além de gastar dinheiro que muita falta faz aos portugueses, são muito ao gosto do PS e do PSD, o bloco central de clientelas e caciquismos locais. E se Costa e Rio negoceiam os nomes dos que serão eleitos e nomeados, por que razão brincar às eleições? É para um faz-de-conta de regionalização com os nomes já escolhidos centralizadamente? Como o faz-de-conta da AR limitada no seu poder de escrutínio porque o Governo tem de trabalhar sem ser incomodado com circos parlamentares.

 

E que Estado faz-de-conta é este que vai gastar 1,2 mil milhões de euros dos contribuintes, dum país pobre, ultrapassado por quase todos em criação de riqueza e perto da cauda da Europa, não em investimentos para a competitividade, mas numa companhia estatal que, num dos verões mais complicados para o turismo nacional tem quase todos os seus aviões em terra deixando a tarefa, de trazer os poucos turistas, com as low-cost, Lufthansa e KLM. Para que serve esta TAP se quando necessitamos dela, não está?

 

Um Estado onde o PM, dum Governo que manipula e controla a comunicação social como nunca se viu em Portugal, escolhe o planeador da recuperação de Portugal porque gostou de o ver na televisão. Um plano faz-de-conta, cheio de futuros sem olhar o passado, sem autocrítica, não acautelando a repetição dos erros recentes que mantiveram os salários miseráveis dos portugueses na cauda da Europa. Apenas a visão simplista de que a culpa foram as políticas "neoliberais", dos últimos anos. Sabendo que o PS esteve no poder em 18 dos últimos 25 anos, e negociou com a troika um programa de governo que Passos Coelho executou, é provável que o PS volte a aplicar essas nefastas políticas "neoliberais" de crescimento do peso do Estado na economia, da carga fiscal, da pobreza, da dívida e da dependência social redistributiva. O resultado não será diferente. 

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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