Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

PIB de Portugal sofre queda histórica de 16,5% no segundo trimestre

No trimestre do confinamento e do Estado de Emergência o PIB de Portugal sofreu uma contração de 16,5% contra o segundo trimestre do ano passado e de 14,1% face aos primeiros três meses de 2020.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 31 de Julho de 2020 às 09:30
  • Assine já 1€/1 mês
  • 42
  • ...

Já se sabia que a economia portuguesa tinha sofrido uma quebra histórica no segundo trimestre. Faltava saber a dimensão da contração e, esta sexta-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou que esta foi mesmo a maior de sempre.

No trimestre do confinamento e do Estado de Emergência o produto interno bruto (PIB) de Portugal sofreu uma contração de 16,5% contra o segundo trimestre de 2019. Face ao primeiro trimestre deste ano a quebra foi de 14,1%.

Ambas as variações não têm sem precedentes, como é percetível no gráfico com a evolução trimestral do PIB desde o início da atual série do INE, em 1999. 

"Refletindo o impacto económico da pandemia, o Produto Interno Bruto (PIB) registou uma forte contração em termos reais no 2º trimestre de 2020, tendo diminuído 16,5% em termos homólogos, após a redução de 2,3% no trimestre anterior", refere o INE, adiantando que "este resultado é explicado em larga medida pelo contributo negativo da procura interna para a variação homóloga do PIB, que foi consideravelmente mais negativo que o observado no trimestre anterior, refletindo a expressiva contração do consumo privado e do investimento".

O INE acrescenta que "o contributo negativo da procura externa líquida também se acentuou no 2º trimestre, traduzindo a diminuição mais significativa das Exportações de Bens e Serviços que a observada nas Importações de Bens e Serviços devido em grande medida à quase interrupção do turismo de não residentes".


Também a variação em cadeia é explicada "pelo contributo negativo da procura interna para a variação em cadeia do PIB, verificando-se também um maior contributo negativo da procura externa líquida", refere o INE.



14,1%Quebra
No período entre abril e junho o PIB de Portugal registou uma contração de 14,1% face aos três meses anteriores. Na compração com o segundo trimestre do ano passado a quebra foi de 16,5%.

 

Espanha, França e Itália com contrações mais fortes
Na comparação com os parceiros da Zona Euro, Portugal surge pior do que a média, mas menos mal do que três dos países que já disponibilizaram dados para o segundo trimestre.

A quebra homóloga de 16,5% no segundo trimestre foi a quarta mais acentuada entre os 10 países de que o Eurostat publicou dados. Já a variação em cadeia foi a segunda mais forte.

Pior do que Portugal só a Espanha, Itália e França, economias que tal como a portuguesa também são fortemente dependentes do turismo e das empresas de menor dimensão, que foram mais penalizadas pela pandemia.

O PIB da Espanha afundou 22,1% no segundo trimestre face ao período homólogo e 18,5% contra o trimestre anterior. Também esta manhã a França tinha revelado que a quebra homóloga do PIB foi de 19% (13,8% face ao trimestre anterior) e a Itália revelou que a contração no mesmo trimestre foi de 17,3% (12,4% face ao primeiro trimestre).

A queda do PIB de Portugal também superou a registada na Zona Euro, que contraiu 15% em termos homólogos e 12,1% em cadeia.


André Veríssimo: "É como se tivéssemos perdido em dois meses o que a economia cresceu em 5 anos"
A carregar o vídeo ...
Consumo interno, investimento e exportações deverão recuperar já este trimestre, mas desempenho da economia no resto do ano está dependente da evolução da pandemia, assinala o diretor do Negócios.
15%Quebra
O Eurostat estima que o PIB da Zona Euro tenha contraído 15% no segundo trimestre face ao mesmo período do ano passado.

Quebra do PIB alinhada com as previsões
O PIB de Portugal tinha recuado 2,3% no primeiro trimestre, pelo que a economia portuguesa está oficialmente em recessão técnica com dois trimestres consecutivos de crescimento em cadeia negativo. Uma evidência que também confirma que, no conjunto do ano, o PIB de Portugal poderá sofrer uma contração de dois dígitos.

Para o conjunto do ano, a estimativa mais negativa até agora conhecida é a da União Europeia, que prevê uma queda de 9,8% do PIB, seguindo-se as estimativas de recessão do Banco de Portugal (9,5%) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), de 9,4%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) previu uma queda de 8,0% para a economia portuguesa no ano de 2020, o Conselho das Finanças Públicas estima uma recessão de 7,5%, e a previsão mais otimista é a do Governo, que estima uma queda de 6,9%.

As estimativas dos economistas já eram negras, chegando a apontar para uma queda do PIB de 20% no segundo trimestre. O núcleo de estudos de economistas da Católica antevia uma redução em cadeia de 13% e homóloga de 15,5%, mas não descartava "a possibilidade de quebras maiores, até 20% em cadeia".

Também os economistas do ISEG apontavam para um intervalo lato, entre os 15% e os 20% em termos homólogos, a que corresponde uma contração entre 12,5% e 17,5% face ao primeiro trimestre. Já o departamento de estudos do Santander Totta estimava uma queda entre 12% e 14% em cadeia.

INE mais rápido a revelar PIB
Os valores do PIB revelados esta sexta-feira correspondem à primeira estimativa rápida do INE, que tendo em conta o contexto excecional de crise económica, provocada pela pandemia de covid-19, decidiu antecipar para hoje este relatório. O dado terá uma margem de segurança menor, uma vez que está a ser calculado com duas semanas de antecedência face ao que é habitual – a primeira estimativa costuma ser publicada 45 dias depois de terminado o trimestre em análise e agora conhecida ao fim de 30 dias.

Na nota desta sexta-feira onde revela a estimativa para o PIB de Portugal, o INE salienta que, "naturalmente, a divulgação mais precoce de resultados comporta uma maior probabilidade de revisões mais significativas que as que ocorrem com estimativas a 45 dias, refletindo quer as incertezas associadas à pandemia quer o menor volume de informação primária disponível".

"Contudo, esta antecipação na disponibilidade de informação macroeconómica permite também alinhar Portugal com outros países, designadamente da União Europeia", refere o INE, que a partir de agora passará sempre a divulgar a primeira estimativa 30 dias depois de terminado o trimestre.

(notícia atualizada)

Ver comentários
Saber mais PIB Instituto Nacional de Estatística Portugal INE recessão
Mais lidas
Outras Notícias