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HSBC pede desculpa pelas práticas "inaceitáveis" de evasão fiscal

O presidente e o CEO do banco britânico HSBC, cujas práticas de lavagem de dinheiro e evasão fiscal foram expostas na investigação SwissLeaks, foram ao parlamento britânico pedir desculpas. E responsabilizaram a filial suíça, que já perdeu 70% das pessoas envolvidas.

Bloomberg
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 25 de Fevereiro de 2015 às 18:04
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"Gostaria que ficasse registado o meu pedido de desculpas e do Douglas [Flint, presidente] pelos eventos inaceitáveis que ocorreram no nosso banco privado na Suíça em meados dos anos 2000". Foi assim que Stuart Gulliver, CEO do banco britânico HSBC, se referiu às práticas ilegais da filial suíça do maior banco europeu durante os anos 2000. Essas práticas foram compiladas na "lista Lagarde" e envolvem diversas personalidades e celebridades, que colocavam o dinheiro na Suíça para este este escapar às autoridades fiscais e à respectiva tributação.

 

Tanto Stuart Gulliver, CEO, como Douglas Flint, presidente do HSBC, foram ouvidos no Comité do Tesouro do Parlamento britânico na tarde desta quarta-feira, 25 de Fevereiro. Flint afirmou que há uma partilha de responsabilidades pelo que aconteceu pelos membros da administração do banco. Apesar disso, a administração suíça do banco privado é "a que tem mais responsabilidades".

 

Gulliver estendeu o pedido de desculpas "aos clientes, aos accionistas e ao público em geral". "Foi claramente inaceitável. Lamentamos imenso o que aconteceu, e que prejudicou a reputação do HSBC", afirmou ainda o CEO do banco, citado pelo The Guardian. Gulliver explicou que fez "alterações substanciais" na filial suíça e lembrou que 70% do pessoal que trabalhava na unidade helvética já saiu – os restantes 30% receberam formação.


A polémica ligada às práticas na Suíça acresce a outros escândalos cometidos pelo HSBC nos últimos anos. De acordo com a Reuters, o banco foi multado em 1,9 mil milhões de dólares há dois anos pelas autoridades dos Estados Unidos, pela falta de controlo que permitia a criminosos lavarem dinheiro no HSBC. Em Novembro último, o banco britânico foi multado em 611 milhões de dólares por alegada manipulação dos mercados cambiais. "É uma lista terrível", admitiu Stuart Flint, o presidente do HSBC.

 

Stuart Gulliver respondeu ainda a questões relacionadas com o facto de, ele próprio, ter dinheiro numa conta do HSBC suíço, através de uma off-shore do Panamá. Gulliver admitiu que o fez por uma questão de privacidade. "Foi puramente para proteger a minha privacidade dos colegas de Hong Kong e da Suíça", explicou aos deputados. "Naquela altura tínhamos um sistema informático que permitia que qualquer pessoa fosse verificar as contas do pessoal do banco", acrescentou.

 

"Eu estava entre os mais bem pagos e queria proteger a minha privacidade dos meus colegas. Nada mais do que isso", sustentou, negando que tenha fugido ao pagamento de impostos. Gulliver paga impostos com um estatuto equivalente ao de não-residente, o que implica não pagar impostos sobre o que tem no offshore do Panamá.

 

A "lista Lagarde" foi investigada por um consórcio de jornalistas europeu, que tornou públicos vários documentos confidenciais no início do mês, num caso conhecido como SwissLeaks. A lista inclui os nomes de 611 clientes portugueses, entre os quais Américo Amorim (que já negou ter conta no HSBC) ou uma desconhecida de Vila Real com uma fortuna de 223 milhões de euros.

 

Papaconstantinou clama inocência

 

A lista de mais de 100 mil contas do HSBC suíço foi entregue à então ministra das Finanças da França, Christine Lagarde (que hoje chefia o FMI), que por sua vez a distribuiu por vários governos europeus. Lagarde enviou ao então ministro das Finanças grego, George Papaconstantinou, a lista dos contribuintes helénicos com conta no banco. O Ministério Público grego acusa Papaconstantinou de ter apagado dessa lista os nomes de três familiares seus. Por essa razão, o ex-ministro foi hoje a julgamento em Atenas.

 

Perante um tribunal especial na capital grega, Papaconstantinou negou as alegações. "Estou inocente", afirmou. "Nego categoricamente todas as acusações", disse ainda, citado pela Reuters. A lista de contribuintes gregos inclui mais de dois mil nomes. A evasão fiscal é um dos principais problemas da Grécia e o novo governo de Alexis Tsipras prometeu combatê-la.

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