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Interpol emite mandado internacional para deter Isabel dos Santos

Empresária e filha de Eduardo dos Santos procurada por desvio e branqueamento de capitais.

Isabel dos Santos reside atualmente no Dubai.
Toby Melville/Reuters
Celso Filipe cfilipe@negocios.pt | Correio da Manhã 18 de Novembro de 2022 às 20:50

A Interpol emitiu um mandado de captura internacional com vista à captura da empresária Isabel dos Santos a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola, avançou o Correio da Manhã (CM).

De acordo com um documento daquela organização internacional de polícia criminal, a que o CM teve acesso, a filha do antigo presidente angolano, falecido em julho deste ano, é suspeita de desvio de fundos e branqueamento de capital quando exerceu o cargo de CEO da petrolífera angolana Sonangol.

 

O mandado da Interpol surge na sequência de uma ordem de detenção internacional solicitada pela Procuradoria da República angolana datada do passado dia 3. Isabel dos Santos, recorde-se, chegou a ser acionista de referência do BPI, BIC, NOS, Galp e Efacec.

Fontes angolanas contactadas pelo Negócios dizem que este mandado de captura significa o "fim do jogo" para Isabel dos Santos. 

A empresária encontrava-se fora de Angola desde 2019 e agora o seu exílio vai tornar-se permanente. Além disso, como não irá comparecer nos tribunais angolanos, perderá em definitivo todos os seus bens.

Isabel dos Santos, a fazer fé na sua conta de Instagram, tem-se movimentado por vários países da Europa, Agora, se repetir estas viagens, corre o  risco de ser detida.

Neste contexto é previsível que Isabel dos Santos se confine ao Dubai e tenha como plano B a Rússia, dado que possui passaporte deste país, devido ao facto de ter nascido em Baku, atual capital do Azerbeijão, mas que à data, 1973, pertencia à então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Investigação nos Países Baixos

Esta semana soube-se também que uma investigação de um perito Tribunal de Amesterdão, nos Países Baixos, concluiu que o alegado "desvio" de 52,6 milhões de euros da Esperaza, participada da Sonangol, baseou-se em deliberações com datas "falsas", pelo que são "nulas". A investigação, cujo relatório preliminar foi divulgado no início de novembro, concluiu que o alegado "desvio" para empresas de Isabel dos Santos terá sido feito com base em deliberações "nulas", porque essencialmente terão sido tomadas posteriormente à destituição da empresária do cargo de presidente da Sonangol.

Segundo o investigador, a empresária terá realizado atos jurídicos em nome da petrolífera angolana, enquanto desempenhou aquele cargo, que beneficiaram empresas suas, "num óbvio conflito de interesses", porque ela e o seu marido Sindika Dokolo (entretanto falecido) eram os beneficiários efetivos da Exem, empresa para a qual foi canalizado o montante em questão.

A hipótese de concretizar um mandado de captura contra Isabel dos Santos é uma história longa. Já em janeiro de 2020, depois de constituir Isabel dos Santos como arguida e antes de uma viagem a Portugal, o procurador-geral da República de Angola, Hélder Pitta Grós, admitia utilizar este instrumento caso Isabel dos Santos não se apresentasse voluntariamente perante a justiça angolana.

Porventura antecipando esta iniciativa da PGR angolana, nos últimos dias Isabel dos Santos republicou nas redes sociais uma mensagem já antiga onde garante que sempre esteve disponível para prestar esclarecimentos e "repor a verdade". Acredito em Angola, sempre investi no meu país, criei empresas, empregos e formei pessoas. Eu amo Angola", escreveu Isabel dos Santos.

Tentativa de prisão em junho

Em junho deste ano, tal com o Negócios noticiou, a PGR de Angola tentou prender Isabel dos Santos nos Países Baixos.

A empresária foi detida e ouvida pelas autoridades judiciais daquele país na sequência de uma queixa apresentada pela PGR angolana. Terá sido solicitada mesmo a sua prisão e posterior deportação para Angola.

No momento da abordagem Isabel dos Santos encontrava-se acompanhada dos advogados que a assessoram noutros processos judiciais e a intervenção destes terá sido decisiva para que as autoridades neerlandesas tivessem optado por a libertar após ter sido ouvida. A empresária, questionada na altura pelo Negócios através da sua assessoria de imprensa com os factos acima expostos, optou por não comentar.

Na ocasião, A PGR angolana confirmou ter pedido às autoridades dos Países Baixos, mediante rogatória, que "fosse notificada da sua qualidade de arguida e fosse interrogada" mas diz que em momento algum solicitou a sua prisão.

Segundo a procuradoria,  "abordada pelas autoridades competentes", Isabel dos Santos "não aceitou notificação nem audição, tendo abandonado o país".

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