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BCE vai pedir aos bancos que suspendam os dividendos até ao final do ano

O Banco Central Europeu alargou o período recomendado para a suspensão de dividendos até, pelo menos, ao final deste ano. O cumprimento desta medida significa a retenção de cerca de 30 mil milhões de euros.

EPA
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 22 de Julho de 2020 às 13:41
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O Banco Central Europeu (BCE) está a recomendar aos bancos do "velho continente" para suspenderem o pagamento de dividendos pelo menos até ao final deste ano, eliminando as esperanças dos investidores que aguardavam por uma retoma na distribuição já a partir do quarto trimestre.

Em março, a instituição europeia tinha recomendado que o pagamento dos dividendos e prémios ficasse suspenso até 1 de outubro deste ano, mas dadas as condições atuais, resolveu recomendar o congelamento por mais três meses para depois voltar a avaliar a situação, de acordo com a Bloomberg. 

recomendação inicial dizia ainda que as instituições financeiras da área do euro "devem abster-se" de realizar operações de recompra de ações como forma de remuneração acionista durante o período em que choque económico persistir.

Para já, o BCE não considera que existam evidências suficientes de que a ligeira recuperação económica justifique o regresso aos pagamentos de dividendos por parte do setor da banca. Apesar de esta ainda não ser uma decisão oficial, é provável que o banco liderado por Christine Lagarde faça, formalmente, esta recomendação nos próximos dias. 

Na altura das primeiras recomendações, vários bancos europeus anularam o pagamento. Em Itália, o Unicredit suspendeu o pagamento de dividendos de 63 cêntimos por ação e cancelou uma recompra de ações programada no valor de 467 milhões de euros. O Intesa Sanpaolo disse que ia rever a recomendação do BCE na sua próxima reunião de 31 de março. 

Por cá, o BCP seguiu o mesmo caminho, ao suspender o pagamento dos dividendos referentes ao exercício de 2019 (mesmo antes da recomendação do BCE), o que irá representar uma poupança de cerca de 134 milhões de euros. Isto depois de só no ano passado ter voltado a distribuir dividendos, após um interregno de oito anos.

Agora, vários bancos europeus têm feito pressão para voltar a remunerar os acionistas, como é o caso do francês BNP Paribas. 

De acordo com o BCE, uma suspensão do pagamento de dividendos até ao final deste ano significa a manutenção de cerca de 30 mil milhões de euros no sistema bancário da Zona Euro, que pode ser importante para ofuscar parte das perdas que os bancos terão nesta altura. 

Andrea Enria, supervisor do BCE, disse que o banco poderia agir legalmente, caso os bancos não sigam as suas recomendações. 
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