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Constâncio soube do crédito especulativo da CGD a Berardo

O ex-governador do Banco de Portugal teve conhecimento da análise dos serviços internos sobre a operação de financiamento da CGD a Berardo que levou ao reforço da sua posição no BCP.

O antigo secretário-geral do Partido Socialista e actual vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, lamentou a morte de Mário Soares como a perda do 'maior político português do século XX'. Numa declaração escrita enviada à Lusa, Constâncio sublinhou que 'democracia e participação no projecto europeu foram as ideias mestras pelas quais se bateu toda uma vida e que felizmente (...) conseguiu realizar', esperando 'que o país lhe saiba agradecer devidamente'. 'Pessoalmente, sinto a sua perda como a de um amigo que marcou a minha vida e que assim sempre recordarei', referiu Vítor Constâncio, que foi ministro das Finanças do então primeiro-ministro Mário Soares em 1978. O antigo governador do Banco de Portugal realçou que Mário Soares foi o mais influente político 'nos destinos estruturantes da modernidade' do país.
Negócios jng@negocios.pt 11 de Junho de 2019 às 10:14
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Vítor Constâncio garantiu que não esteve presente na reunião do conselho de administração do Banco de Portugal (BdP) que tomou a decisão de não oposição ao reforço de Joe Berardo no BCP em agosto de 2007. E garantiu ainda que só teve conhecimento das operações "a posteriori".

Contudo, segundo revela o Público esta terça-feira, 11 de junho, o ex-governador do BdP teve acesso aos documentos com a informação completa sobre a operação que foi analisada durante dois meses pelo departamento de supervisão do banco central. 

Em causa está o reforço de Berardo no capital do BCP que foi financiado por um empréstimo de 350 milhões de euros da Caixa Geral de Depósitos (CGD), cuja garantia eram as ações (títulos especulativos) do próprio banco que iriam ser adquiridas. Os títulos viriam a cair drasticamente em bolsa durante a crise financeira de 2008 e 2009, tendo Berardo não conseguido pagar o empréstimo até agora. 

Segundo o jornal, não há referência nas atas das reuniões posteriores do conselho de administração a objeções de Vitor Constâncio à operação que envolvia Berardo, a CGD e o BCP, mas nessa altura já lhe tinha sido disponibilizada documentação com a descrição completa da operação. 

O Público explica que a linha de crédito disponibilizada pela CGD a Berardo - sem garantias reais nem capitais próprios - só poderia ser utilizada com a autorização do Banco de Portugal. Na avaliação da tomada de posição qualificada, o BdP poderia ter concluído que a operação de financiamento tinha riscos para a estabilidade financeira e, portanto, rejeitá-la.

Foi esta informação que o ex-governador do BdP omitiu (ou, pelo menos, se esqueceu de mencionar) na audição no Parlamento na comissão de inquérito à gestão e a recapitalização do banco público. Nessa altura, questionado sobre se tinha conhecimento de créditos tóxicos na CGD, Constâncio negou.
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