O triste fim do transporte público
Se os transportes públicos de massas avançaram a toda a velocidade na Europa na segunda metade do século XIX isso deveu-se à ampliação das cidades.
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Estas passaram a atrair quem vinha dos campos à boleia da industrialização. Fora de Portugal os transportes públicos tiveram de ir atrás da dilatação do espaço urbano antigo. Já aqui, sem músculo significativo de crescimento industrial (foi preciso, por exemplo, a implantação da CUF no Barreiro para que as linhas de transporte entre Lisboa e o Sul do país se desenvolvessem), a implantação dos transportes públicos foi desordenada. Em finais do século XIX os seus utilizadores eram uma minoria que tinha dinheiro: não era para as classes populares. Em 1880, por exemplo, a média de viagens por ano era de 18. A que é que isto conduzia? A uma débil rentabilidade. Era no Verão que havia mais procura porque, nesse período, os lisboetas iam "a banhos", para as suas praias preferidas, como a Ajuda ou o Dafundo, ou então iam a Sintra "para refrescar". Só no início do século XX, com a chegada do eléctrico para substituir o "omnibus" e o "americano", o transporte público ganhou outra vitalidade: 115 viagens por ano e por habitante em 1910. Outras zonas da cidade de Lisboa passaram a ser habitáveis para quem tinha de se deslocar para o trabalho, como Campo de Ourique ou as chamadas Avenidas Novas.
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