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Luís Todo Bom - Gestor de Empresas 02 de Dezembro de 2020 às 19:20

Empresas controladas pelos accionistas ou pelos gestores

A insignificância da nossa bolsa é uma vítima indirecta deste processo de afirmação da teoria da agência.

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Os códigos de corporate governance estabelecem a prevalência dos accionistas no controlo da empresa, concentrando na assembleia-geral os poderes mais relevantes, incluindo a nomeação do conselho de administração e dos restantes órgãos de gestão da empresa.

Nas empresas em que um accionista detém um bloco de controlo de acções, significativo, o controlo da empresa, em geral, e as decisões estratégicas, em particular, repousam em grande parte nesse accionista.

Pelo contrário, nas empresas com grande dispersão de capital, sem um accionista dominante, a definição e controlo estratégico da empresa é mais difuso e é suportado, em grande número de casos, nas propostas do conselho de administração.

Durante anos, foi considerado que este último modelo tinha vantagens claras em relação ao primeiro, já que depositava em gestores profissionais a condução estratégica da empresa, em detrimento de accionistas com eventual menor preparação teórica e académica.

Os defensores desta aproximação ignoravam, deliberadamente, a teoria da agência, tendo-se verificado, em grande número de situações, algumas das quais bem conhecidas, uma enorme destruição do valor accionista, com a acumulação simultânea de regalias sumptuosas para os gestores.

Este modelo continua a ser defendido por alguns gestores gananciosos, pouco éticos, que continuam a tentar a sua aplicação, mesmo em empresas com um accionista relevante, procurando aliciar outros accionistas para o seu projecto pessoal.

Nestes casos, a destruição de valor da empresa é incomensurável.

Com a entrada dos fundos de investimento e outros investidores institucionais nas empresas, o comportamento oportunístico destes gestores tornou-se mais difícil, mas quando ocorre, a destruição de valor é enorme, face à rapidez de decisão de saída destes investidores.

Os gestores narcisistas, que referi num artigo anterior, e que, segundo O’Reilly destroem, por dentro, as organizações, estão no topo deste tipo de intervenção, suportado na ausência de ética e de valores.

A insignificância da nossa bolsa, com um número cada vez mais reduzido de empresas e com empresas de dimensão cada vez menor, é uma vítima indirecta deste processo de afirmação da teoria da agência.

Se este modelo não for combatido e não se regressar às origens e às boas práticas dos códigos de corporate governance, atribuindo o controlo das empresas aos seus accionistas, receio que a competitividade e a performance do nosso tecido empresarial venham a ser profundamente afectadas.

Parafraseando O’Reilly, em relação aos gestores que utilizam, recorrentemente, a teoria da agência: "Como se regem, fundamentalmente, pelos seus próprios interesses, ausência de empatia e são menos constrangidos por standards éticos, podem causar prejuízos tremendos, uma vez no poder, e podem mesmo, colocar em risco, as organizações que lideram." 

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico
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