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Miguel Beleza | Jorge Marrão 19 de Março de 2013 às 00:01

O salário mínimo

Há cerca de 40 anos, a França inventou o SMIC – Salaire Minimum Interprofessionnel de Crossaince – que aumentou muito, de forma sustentada, o salário mínimo.

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 "Não é só pelas exportações que o país cresce, mas também pela subida do salário mínimo nacional que possibilita o aumento do consumo interno e cria emprego"

João de Deus - CGTP
in Expresso on-line em 07.03.13

 

Há cerca de 40 anos, a França inventou o SMIC – Salaire Minimum Interprofessionnel de Crossaince – que aumentou muito, de forma sustentada, o salário mínimo. O resultado foi uma hecatombe. Os jovens e as mulheres foram despedidos em massa e os que procuravam emprego pela primeira vez não o conseguiram. Porquê? Porque não havia maneira de as empresas terem a certeza de que os candidatos ao emprego valiam o SMIC. 

Os efeitos estudados de um aumento modesto do salário mínimo em empresas dominadas por baixos salários são a pressão salarial para os que ganham mais nessas empresas e um ligeiro aumento de preços (redução da procura). Acresce uma diminuição da mobilidade laboral (rigidez no emprego) e eventual melhoria da eficiência organizacional (produtividade). A procura induzida que se ganha de um lado pode perder-se noutros grupos pelos efeitos indirectos.

O aumento substancial do salário mínimo sobe os custos das empresas e aumenta muito o desemprego, principalmente nos grupos com formação mais baixa. É um instrumento modesto para combater o mal dos salários baixos, ou restabelecer os equilíbrios macroeconómicos.

Se a rigidez salarial nominal pode provocar desemprego involuntário, segundo os keynesianos, por que razão a do salário mínimo não terá o mesmo efeito? O desemprego e a falta de procura interna não se combatem por esta via. A Irlanda tem razão em baixar o salário mínimo para combater o desemprego. Para reduzir a pobreza talvez fosse preferível um crédito fiscal.



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