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Sonae dispara lucros para 42 milhões e bate recorde de vendas até março

A dona do Continente obteve o seu melhor trimestre de vendas, atingindo os 1,7 mil milhões de euros, tendo desembolsado neste período 110 milhões de euros em aquisições, com a dívida líquida a diminuir quase 600 milhões face há um ano.

Grupo liderado por Cláudia Azevedo vendeu a sua participação na SafetyPay, empresa que foi comprada pela Paysafe por 408,8 milhões de euros.
Paulo Duarte
Rui Neves ruineves@negocios.pt 18 de Maio de 2022 às 18:09
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Contra prejuízos de 59 milhões de euros no primeiro trimestre de 2020 e lucros de apenas um milhão de euros no mesmo período do ano passado, o grupo Sonae fechou as contas até março com um resultado líquido de 42 milhões de euros, com o EBITDA homólogo a crescer 17,2% para 149 milhões de euros.

 

Já o volume de vendas cresceu 5,1% para um valor recorde de 1,69 mil milhões de euros, com o negócio da MC (Continente) a contribuir com quase 1,3 mil milhões de euros, mais 3,8% do que nos primeiros três meses do ano passado.

 

"O início de 2022 foi muito bom para a Sonae. Os nossos negócios continuaram a apresentar um desempenho de sucesso nos seus respetivos mercados e o grupo manteve uma sólida trajetória de crescimento, com melhores níveis de rentabilidade, tendo resultado numa maior valorização do portefólio", afirma Cláudia Azevedo, CEO da Sonae, na mensagem que acompanha a apresentação de contas do primeiro trimestre de 2022, publicada esta quarta-feira, 18 de maio, na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Cláudia Azevedo destaca, também, os números que corporizam uma estrutura de capital robusta, com rácios de alavancagem e níveis de liquidez confortáveis: "O nosso desempenho consolidado, em conjunto com a nossa atividade de gestão do portefólio, geraram 627 milhões de euros de ‘free cash flow’ nos últimos 12 meses, permitindo uma redução significativa da dívida líquida de cerca de 600 milhões de euros", sinaliza.

 

Em rigor, o corte da dívida líquida foi de 588 milhões de euros no último ano, dos quais 368 milhões  entre janeiro e março de 2022.

Em simultâneo, investiu 110 milhões de euros em aquisições nos primeiros três meses deste exercício.

"Estes resultados foram conseguidos num contexto muito desafiante, marcado pela invasão russa à Ucrânia", nota Cláudia Azevedo, ressalvando que, "apesar da Sonae não estar direta e materialmente exposta a estes países", os negócios do grupo "sentiram já os efeitos indiretos do conflito, nomeadamente através do aumento dos preços da energia, da inflação generalizada e dos constrangimentos nas cadeias de abastecimento, tendo conseguido ultrapassar estes desafios", conclui.

Entretanto, "independentemente da evolução da economia global e dos mercados financeiros, com o nosso grupo de negócios, a nossa sólida situação financeira e a competência das nossas equipas, estamos bem posicionados para atravessar este ciclo de incerteza, continuar a reforçar as nossas posições competitivas e aproveitar oportunidades que se nos apresentem", afiança a CEO do grupo com sede na Maia.

Moda em alta, Worten em baixa, Sierra triplica lucros

Por unidades de negócios, além da gigante MC, que a Sonae diz que "continua a ganhar quota de mercado", o grande destaque vai para o negócio da moda, onde explora marcas como a MO, a Salsa e a Zippy, "com a Zeitreel a conseguir regressar aos níveis de vendas do primeiro trimestre de 2019, após dois anos muito difíceis para a indústria da moda, afetada pelas restrições da pandemia", tendo fechado os primeiros três meses de 2022 com um volume de vendas de 96 milhões de euros, o que representa um acréscimo homólogo de 57%.

No negócio desportivo, as vendas da ISRG (Iberian Sports Retail Group), " joint-venture" da Sonae com a JD Sports que detém a marca SportZone, cresceram 66%  para 366 milhões de euros, com o canal online a reforçar o seu 15,7% para 21,1% na faturação, "sobretudo devido à aquisição da Deporvillage", admite a Sonae.

Já a Worten, após dois anos consecutivos de crescimento significativo, "o mercado de eletrónica em Portugal contraiu no primeiro trimestre de 2022, sobretudo devido ao contexto pandémico no primeiro trimestre d e2021, o qual beneficiou, de forma acentuada, o canal online e impulsionou as vendas de produtos informáticos". Acresce o último "inverno menos rigoroso", o que "limitou a procura de categorias sazonais".

 

"Este contexto desfavorável do mercado de eletrónica e da reorganização da oferta em Espanha continental contribuíram para uma redução do volume de negócios [da Worten] de 4,1% para 261 milhões de euros no primeiro trimestre de 2022", revela a Sonae.

Na Sierra, que corporiza o negócio imobiliário do grupo, sobretudo centros comerciais, "o início de 2022 apresentou sinais positivos de recuperação", com o resultado líquido a triplicar para 9,8 milhões de euros e a valorização dos ativos a aumentar 5,1% para 972 milhões de euros, realçando, ainda, que as vendas dos lojistas aumentaram mais de 90% em termos homólogos.  

Nos serviços financeiros, o volume de produção do Universo aumentou 23% para 257 milhões de euros, tendo conquistado "96 mil novos clientes face ao primeiro trimestre de 2021, atingindo cerca de 989 mil no final do primeiro trimestre de 2022", afiança.

A Nos registou uma faturação de 373 milhões de euros até março, o que traduz um crescimento homólogo de 10,6%, impulsionada pelos segmentos de media e entretenimento (mais71,1%) e de telecomunicações (9%), "com um contributo positivo das subscrições de serviços móveis, das soluções de serviços para o segmento de B2B e das receitas de roaming devido a menos restrições de viagens", explica a Sonae. Os lucros aumentaram 35% para 41 milhões de euros face ao primeiro trimestre do ano passado.

Finalmente, a Bright Pixel (antiga Sonae IM) "continua ativa na sua atividade de gestão de portefólio", somando várias vendas (saiu do capital da Safetypay e da ciValue) e compras (entrou na Experify e na Hackuity), tendo ainda participado numa ronda de financiamento da Cybersixgill no valor de 35 milhões de euros.

"No final do primeiro trimestre de 2022, o capital investido no portefólio ativo atingiu 159 milhões de euros e o NAV situou-se em 378 milhões de euros", remata a Sonae em relação à atividade do seu braço de investimento tecnológico nos primeiros três meses deste ano.

Entretanto, já depois do fecho do trimestre, a Bright Pixel acordou com a Thales Europe a venda da totalidade do capital social e direitos de voto da Maxive, uma "holding" que agrega a S21sec e a Excellium.

"A transação tem subjacente um ‘enterprise value’ da Maxive de 120M milhões de euros e estima-se que resulte num impacto positivo nos resultados consolidados da Sonaecom de cerca de 63 milhões de euros", detalha a Sonae.

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