Fernando  Sobral
Fernando Sobral 11 de agosto de 2016 às 10:02

Donald Trump brinca com o fogo. Ou com as armas

Donald Trump gosta de chocar. Porque frases incendiárias dão minutos nas televisões e jornais. E ele precisa disso para se afirmar face a Hillary Clinton.


A sua última declaração pirómana foi dizer que Hillary quer acabar com a Segunda Emenda (que permite o uso de armas nos EUA) e nada se pode fazer contra isso, porque os juízes estarão com ela. Mas, depois, deixou a sugestão sibilina: "Mas talvez as pessoas da Segunda Emenda possam fazer." Nas entrelinhas muitos leram uma sugestão para que os apoiantes do uso de armas as usassem. Os apoiantes de Trump negam. Mas Thomas L. Friedman, no New York Times, não contém a indignação: "E, senhoras e senhores, foi assim que o primeiro-ministro israelita Yitzak Rabin foi assassinado. Os seus opositores de extrema-direita deslegitimaram-no como 'traidor' e 'nazi' por querer fazer a paz com os palestinianos e dar-lhes parte da terra de Israel. Claro, vale tudo na política, certo? (…) As pessoas estão a brincar com o fogo e não há maior lança-chamas do que Donald Trump. Esqueçam a política; ele é um ser humano nojento."

Na New Yorker, Jeffrey Toobin fala de outra coisa: Trump continua sem declarar os seus rendimentos. E escreve: "Trump disse que procura pagar o mínimo de impostos possível dentro da lei. É o seu direito, claro. (…) A questão não é o que o que a lei requer, mas o que a política exige. Neste e noutros campos, Trump tem desafiado a tradição eleitoral para Presidente guardando o valor dos seus rendimentos para ele." A crítica não poderia ser mais clara. Isso atira-nos para uma outra reflexão, como faz Steve Richards, no Guardian: que política é esta em que vivemos? Ele responde: "No novo e traumatizado e constrito contexto da economia global, os principais partidos da esquerda e da direita falharam calamitosamente a forma de dizer a verdade sobre o que podem fazer, o que querem fazer e o que devem fazer."

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